quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Los Cinicos

Como esperado, a reunião dos líderes bananeiros latinos na Costa do Sauípe aprovou ontem uma moção pedindo o fim do embargo econômico dos EUA contra Cuba. Fora o fato de que eles chamam o embargo de bloqueio (que são duas coisas totalmente diferentes no campo da política e direito internacional), chama a atenção o argumento:

“Os chefes de Estado afirmam que a defesa do livre-comércio e da prática transparente do comércio internacional torna inaceitável a aplicação de medidas coercitivas unilaterais que afetam o bem-estar dos povos e obstruem os processos de integração”

O que eu acho engraçado nesta turma é que eles não têm a menor cerimônia em usar, ao mesmo tempo, argumentos contraditórios. Num dia declaram o capitalismo, o livre-comércio (em especial com os EUA), é a causa de todos os males. No outro, a falta de livre-comércio de Cuba com os EUA é que é a causa dos males. Me batam uma garapa!

Em tempo: quando é que esses hipócritas vão adotar alguma resolução exortando o "PC de Cu" (Partido Comunista de Cuba) a acabar com o embargo político e econômico imposto sobre os cubanos há 50 anos? Quando é que vão exigir de Cuba a libertação dos presos políticos e a liberdade de expressão e associação? Se meter na política interna dos EUA pode, mas na de Cuba não pode?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Demodé

"Há ventos na América Latina, como as idéias de socialismo que brotam com força. A idéia de socialismo, que se acreditava enterrada. O socialismo não está morto, está mais vivo do que nunca. O capitalismo é que está morto" - Hugo Chávez, em Salvador, hoje



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Este blog surgiu em 2004, ano 2 d.L.. Eu estava no 2º anos da faculdade de Direito. Escrevia pequenas crônicas, notinhas, na linha ridendo castigat mores. Meu viés era marcadamente de esquerda. Eu havia sido um dos milhões de brasileiros que, dois anos antes, haviam eleito Dom Luizinácio presidente.

À medida em que o tempo passava, entretanto, minhas batidas começaram a se deslocar da direita para a esquerda. Somados aos escândalos, a minha convivência na política estudantil mostrava o hiato entre o que era discurso e o que era prática.

Nesse meio tempo eu fui estudando: filosofia, economia, literatura, retórica e dialética. Fui fazendo por mim o que a Universidade não fazia e não faria. E comecei a ver que eu, simplesmente, não podia compactuar com o que eu sabia errado. Não podia tolerar ditaduras somente por que eram anti americanas. Não precisava ser antiamericano só por que é modinha odiar os EUA. Eu não podia defender que se tolhessem, em nome de um suposto bem maior, liberdades das quais eu não abria e não abro mão. Via colegas também de esquerda vendo as mesmas coisas, mas adotando um tom que ia da resignação ao cinismo: "É, mas a direita é pior", ou então "Você prefere que o PSDB volte?". Se recusam a enxergar com medo de trair convicções da juventude.

Eu não. Eu não sou um coletivo. Sou um indivíduo, e falo apenas por mim. Não tolero a noção de que os indivíduos são abstratos e os coletivos (raça, classe, opção sexual) seriam concretos. E não sou um terceiro onisciente para medir os outros por regras que não valem para mim. SE sou um indivíduo, o zé da esquina também o é.

E nos últimos tempos a política tem centrado este blog. Houve uma mudança de leitores: perdi uns, ganhei outros. Faz parte da vida, nem todos os temas são interessantes a todos.

Somente acho graça quando recebo, vez ou outra um email em que alguém diz que estou perdido no tempo: ser anticomunista caiu de moda. Ora, como assim, caiu de moda? O comunismo, acaso, caiu de moda? O partido que governa o Brasil deixou de professar a crença no tal socialismo? Deixou de se alinhar com ditaduras e ditadores comunistas? Deixou, por algum momento, de seguir o script dado por Hayek quando escreveu "O caminho da servidão"¹???? O futuro, ou a maioria das pessoas, podem me considerar errado. O que não significa que estarão necessariamente certos.

Tá aí o Hugo Chávez que não me deixa mentir.



¹ O Caminho da servidão não é um livro sobre o futuro. É um livro sobre o passado. Conta como foi que nações caíram no canto da sereia do totalitarismo coletivista. Enquanto estamos aqui lindos e faceiros, achando que o muro de Berlim acabou com essa baboseira de ser comunista, eles não desistiram. O problema do comunismo não é ele se concretizar: o comunismo é irrealizável, como Mises já havia provado em 1922, e a queda da URSS confirmado. O problema é o quanto perdemos - em vida, material - a cada vez que essa turma pede uma segunda chance.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Memento Mori

Do Ultimo Segundo. Dispensa deste escriba comentários para além do título deste post e do negrito, pois presumo que as almas penadas que aqui vagueiam conhecem algo de história:

"Aprovação do governo Lula também bate recorde na pesquisa CNI/Ibope
BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu recorde aprovação, chegando a 73% de avaliação ótima e boa entre os entrevistados da pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta segunda-feira. Esta é a melhor avaliação de um presidente do período de redemocratização no País. O recorde anterior era de José Sarney, que, em 1986, no auge do Plano Cruzado, era aprovado por 72% da população. (...)"

Crééééééu


"(...) Queremos ter uma boa relação com os EUA. Mas é bom que eles vejam que temos mecanismos de integração e desenvolvimento que não dependem de tutela externa."

Arram. Percebe-se.

Tutti Buona Gente

Comentaristas, blogueiros e jornalistas brasileiros se refestelaram com a sapatada que o Bush quase levou. E não estão sozinhos:

"Que coragem de verdade" - Hugo Chávez, ontem
"Heróico" - Comunicado oficial do grupo terrorista Hezbollah
"O que ele fez representa uma vitória para os direitos humanos em todo mundo" - Comunicado do Wa Atassimou , grupo de direitos humanos patrocinado pelo governo da Líbia (!?!?)

Algo a se dizer aos nossos bravos brasileiros antiimperialistas: quem com porcos se mistura, farelos come.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sapato 36

Viram a sapatada de que o Bush escapou? Volto abaixo



Sinal dos tempos. Leio no Portal G1 que o tal jornalista é um daqueles que odeiam os EUA pelo que o Bush fez com o país dele. Compreensível. Ele foi preso por esse ato. Na certa ele prefereria ter sido enforcado junto com a sua família, como nos tempos áureos de Saddam.

domingo, 9 de novembro de 2008

Mais Estado-Babá

Pois é. Depois de regulamentar a caipirinha, eis que surge no horizonte um projeto de Lei querendo regulamentar o Índice de Massa Corpórea mínimo para modelos/manequins. Se não chegamos ao ápice da irrelevância, estamos perto: Querem que o governo regule até o peso de modelos.

Lula Hamlet, e a democracia Venezuelana

Ato 1 - Cena 1

"Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela", disse Lula, ao comentar que ninguém poderia acusar a Venezuela de não ter democracia. "Poder-se-ia até dizer que tem em excesso". (29/09/2005 )

Ato 1 - Cena 2

"Se permitirem que a oligarquia volte ao governo (de Carabobo), vou acabar mandando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo", afirmou Chávez ao lado do candidato oficial do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em um comício nesse estado. ( 09/11/2008 )

Ato 1 - Cena 3

Dom Luizinácio I entra no Cemitério. Bate um papo animado com Marco Aurélio Garcia. O coveiro lhe apresenta um crânio.

LUIZINÁCIO: De quem era este?
PRIMEIRO COVEIRO: Da mais extravagante louca que já se viu. Quem pensais que ele fosse?
LUIZINÁCIO: Não posso sabê-lo.
PRIMEIRO COVEIRO: Para o diabo com sua loucura! Esse crânio aí, senhor, esse crânio ai, senhor, era o crânio de Democracia, a boba da corte do Coronel.
LUIZINÁCIO: Este?
PRIMEIRO COVEIRO: Precisamente.
LUIZINÁCIO: Deixe-me ver (pega o crânio). Olá, pobre Democracia! Eu a conheci, Marco. Uma moça de infinita graça, de espantosa fantasia. Mil vezes me carregou nas costas. E agora, como me atemoriza a imaginação! Sinto engulhos. Era aqui que se encontravam os lábios que eu beijei não sei quantas vezes. Onde estão agora os chistes, as cabriolas, as canções, os rasgos de alegria que faziam explodir a mesa em gargalhadas? Não sobrou uma eleição, um plebiscito, ou um jornal livre ao menos, para rir de tua própria careta? Tudo descarnado!

domingo, 2 de novembro de 2008

...num copo com limão

O gosto dos burocratas pela irrelevância supreende a cada dia.

Neste domingo de absoluto ócio de busca por informações jurídicas relevantes (cof cof), eis que me deparo com uma informação que serve para resumir a mentalidade daqueles que administram o seu, o meu, o nosso suado dinheirinho: a definição de uma caipirinha legítima (no sentido estrito da palavra legitima). A Instrução Normativa nº 55, aliás, traz a definição não somente da caipirinha (anexo IV da IN 055/08) como também da jurubeba (anexo V), da batida (anexo III), dentre outras, ocupando umas 4 páginas do Diário Oficial da União de 31/10/2008.
Palavras da Salvação:



Segundo li depois, tudo foi um erro. Não, o erro não foi normatizar a birita: segundo um técnico do MAPA eles vão mesmo normatizá-la, mas só iam jogar no ar a versão final (esta?) depois de ouvir especialistas e peritos no assunto.
Lula, peritus peritorum, diria - se fosse consultado: "Penso que a receita do companheiro Stephanes é da boa!"

Eu já abordei essa mania noutra oportunidade: A fúria legislativa é incessante. Eles começam legislando sobre grandes coisas, terminam legislando sobre as pequenas coisas, até que se torne impossível fazer qualquer coisa que não esteja codificada ou, pior, que as coisas mais banais e irrelevantes possam ser proibidas por não atenderem normas técnicas feitas ninguém sabe onde, ninguém sabe como, ninguém sabe quando, ninguém sabe para que.
(para quem pensa que essa mania é de burocrata brasileiro, leiam o livro "The death of common sense: How law is suffocating America" de Phillip K. Howard, que eu tive a grata oportunidade de tomar emprestado)
Mais um pouco, e no futuro não poderemos ver cenas de empreendedorismo como essas:


- Que mané caipirinha oficial, rapá? Cadê o Certificado do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento? Essa bebida está a 20 graus Celsius? Este açúcar está ultrapassando as 150g/l? Este processo tecnológico é adequado para garantir a apresentação e conservação até a hora do consumo ou esta porcaria vai sair com gosto de sabão?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Espanando a poeira

Cá estou, de volta.

Evitei atualizar o Caxassa no período eleitoral, apesar da munição diária que me caía em mãos, porque, como é sabido, trabalhei na assessoria jurídica de um determinado candidato, e não queria que confundissem esta minha atividade ociosa e amadorística com uma atividade a serviço de algo mais que não de mim mesmo.

C´est la vie, como diriam os cults. Passada a eleição, não tive cabeça - ou tive preguiça de sobra - para deixar passar tanta coisa!!! São dois meses sem um mísero post.

Espanada a poeira, tentarei voltar a postar.

Enquanto isso, deixo meus - hoje - leitores fantasmas com uma poesia de minha amiga Brisa que, coincidentemente, traduziu algo que eu vinha matutando no meu espírito a algum tempo.

SEGREDOS
Todos nós temos segredos
e tudo muito bem escondido
um affair com a empregada
um beijo no melhor amigo.

todos nós temos coisas a esconder
do namorado, de mim, de você
um amasso furtivo na escada
uma fantasia de puta mascarada.

todos nós temos segredos
e vale a pena os esconder
esconder não é mentir
omitir é saber se vender.

todos nós temos coisas a esconder
e não vale a pena esquecer
todos mentimos da mesma forma
para continuar a conviver.

Brisa Dalilla =27/10/2008=

domingo, 17 de agosto de 2008

Novo artigo

Saiu no É Direito! meu mais novo artigo: Sobre o "Direito à Satisfação Sexual", e outros "direitos" que não o são

Nele eu discorro sobre a multiplicação de direitos, partindo da proposta da Constituinte do Equador de pôr na Constituição o direito de toda mulher à satisfação sexual.

Podem conferir :)

DataChute

A guerra das passeatas políticas começou em Itabuna. Na sexta-feira a candidata do PT, Juçara, levou alguns milhares de pessoas à Avenida Cinquentenário e Praça Adami; Ontem foi a vez de Fábio Santana (PMDB) fazer o mesmo.

Parte dessa guerra é a batalha dos números, com cada lado inflacionando sua própria passeata e subestimando a do outro. Mas, pô, vamos maneirar! Eu não assisti a caminhada de Juçara, mas fui à de Fábio. Vi uma foto da aglomeração na praça Adami e comparei: ambas as passeatas se equivaleram. Os petistas afirmam que havia de 15 a 20 mil pessoas lá (Mais de 10% do eleitorado de Itabuna numa passeata em dia útil, no horário comercial? Me batam uma garapa....).

O blog Políticos do Sul da Bahia afirma que eram mais de 20 mil. Céus! Até o jornal A Região me veio com essa, afirmando na edição deste fim de semana que haviam mais de 15 mil. Ora! Se havia esse tanto na de Juçara, havia o mesmo na de Fábio, pois, como disse, se equivaleram.

Mas nem a pau, Juvenal! Não cabem 15 mil pessoas na praça Adami. Galera, são 4 pessoas por m². São 5,500, 6 mil pessoas no máximo, de cima a baixo. Nem atochando entra mais. O próprio Marcel Leal, editor do A Região, afirmou isso na edição de 02 de agosto (página 10).

Exagerar faz parte, galera. Mas com moderação, por favor.....

domingo, 20 de julho de 2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Tá rebocado.....

Recebo email na lista Direito_UESC, e comento abaixo:

"Defesa de Dantas cita Mendes em e-mails
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1707200814.htm
E-mails interceptados pela Operação Satiagraha da Polícia Federal indicam que os advogados do banqueiro Daniel Dantas manobraram, para que caísse no plantão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, o pedido de liminar no habeas corpus impetrado por Dantas em junho, concedido duas vezes na semana passada.
(...)
A conversa dos advogados foi analisada em laudo complementar da Divisão de Crimes Financeiros da PF. "O presente relatório foi feito em caráter de urgência, objetivando informar à autoridade policial de possíveis manobras no âmbito do Poder Judiciário que possam causar significativo prejuízo para a presente investigação policial", diz o relatório.
(...)"

Pára o mundo que eu quero descer. A Polícia Federal agora está monitorando as conversas da defesa? O que aconteceu com os direitos e prerrogativas dos advogados, dentre eles o do sigilo?

São essas cagadas - propositais ou não - que ocorrem no curso dos inquéritos e processos judiciais que levam à absolvição dos réus, para desânimo do povo e alegria dos teóricos da conspiração. A Polícia não pode tudo nas investigações. Os policiais também estão sujeitos aos limites da Lei, aqui não é Cuba, China, União Soviética ou outra dessas localidades progressistas, em que o Estado tudo pode contra o cidadão.

De resto, achei bastante interessante a contituação do email, uma nota da lista de emails da ANAMATRA (donde foi encaminhado esse), especialmente um trecho que reproduzo abaixo:

"todos nós,por favor, prestemos atenção ao fato de que a denominada "crise" do Judiciário e até das instituições, tal como desencadeada no processo, talvez seja o mais grave dos 'feitos', sobretudo quando tira o foco do objeto principal: as trampolinagens do acusado que, sorrateiramente, sai do centro das atenções (de novo) e vai se envolvendo nas trevas de sempre para continuar delinqüindo, na moita. Não é por nada que tem tão competentes advogados e é tão bem relacionado !!!!ATENÇÃO, cuidado para não nos deixarmos - também nós - cair na tentação de ajudarmos esta manobra MUITO BEM URDIDA."

Essa aberração foi escrita por uma juíza do TRT-4ª Região. O que está escrito é simples: Não devemos prestar atenção às ilegalidades cometidas pela PF no curso da investigação para garantir que o acusado - Dantas et caterva ainda não foram condenados - não escape da pena.

Com juízes assim, voluntariamente admitindo a violação de direitos e garantias individuais em prol da condenação de quem sequer foi julgado, quem precisa da proclamação do Estado de Exceção?

E a OAB, para quem pagamos nossas anuidades, por qué se callas?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Mas quem, afinal, tem que pedir pra sair?

Em artigo publicado ontem* no Blog Pimenta na Muqueca, Senildo Paulino classificou como “vergonhosas” as declarações do Ministro Presidente do STF, Gilmar Mendes, sobre as prisões da Operação “Satiagraha” da Polícia Federal. Em síntese, ele acredita que o Ministro somente deveria se posicionar quando estivesse com os autos em mãos, e insinua que o Ministro estaria ameaçando o Governo (!), para que o governo não investigasse supostas irregularidades ocorridas durante o processo de privatização de determinados setores da economia durante o governo FHC.

Não houve, propriamente, refutação das declarações do Ministro. O artigo se limita a desfiar um rosário de argumentos ad hominem, levantando suspeitas e insinuações (omitindo, entretanto, as relações do grupo preso com o atual governo, inclusive conexão deste caso com o Mensalão....), mas não vai ao ponto: O Ministro errou? Falou besteira na condição de jurista e guardião da Constituição?

Definitivamente, não. O Ministro, como todos os cidadãos, viu na televisão (somente uma emissora teve acesso à Operação) imagens dos acusados sendo presos e algemados, alguns ainda à noite, em suas residências. Qualquer cidadão, mesmo que com pouco conhecimento do mundo jurídico, sabe que a Polícia não pode entrar em domicílios à noite para efetuar prisões, a não ser em caso de flagrante delito, assim como sabe que o uso das algemas deve se restringir somente à contenção de detidos que estejam resistindo à prisão, ou ofereçam chances de fuga.

Não é preciso, aí, ler nas entrelinhas. O oferecimento dos presos à execração pública é evidente. Note-se que o ministro não comentou sobre o caso, mas somente com o espetáculo midiático oferecido pela PF; sobre o caso ele se manifestou depois, quando concedeu o Habeas Corpus aos acusados, o que já era esperado tanto em face das ilegalidades na prisão como a própria desnecessidade da decretação da prisão temporária, pela falta dos requisitos legais.

Se há alguém que merece um “pede pra sair” é o nosso ministro da justiça, Tarso Genro. Nosso prócer do “direito alternativo”, respondendo ao Ministro Mendes, afirmou que “"As prisões são um sinal para a sociedade que está acostumada a ver somente pobres indo para a cadeia, sendo retirados de camburões de forma indecente, de que isso está mudando. É determinação do presidente da República. O Estado combate a corrupção independente de suas raízes". Aí sim temos que ler as entrelinhas. Ali, o que o Ministro diz, basicamente, é que se o Estado não preserva os direitos e garantias dos réus pobres, não deve garantir os dos réus ricos. É a democratização da injustiça, do abuso e do arbítrio. “Larga essa pasta, Tarso, que você não é Jurista, você é moleque, moleque!”.

Mas, esperem um pouco: A PF algemou algum mensaleiro? Descobriu de onde veio aquela grana do dossiê fajuto? Tirou da cama de madrugada a responsável por montar um dossiê contra FHC e dona Ruth Cardoso? Então ele não venha dizer que não há intocáveis. Como na Revolução dos Bichos, de George Orwell, aqui também “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros”.

Finalizo como finalizei outro artigo, publicado em maio do ano passado pelo Periódico É Direito!, quando tratei de uma situação idêntica que acontecia quando da “Operação Hurricane”, também da Polícia Federal:

As garantias processuais existem para proteger os indivíduos do Estado. Para dar-lhes a possibilidade de se defenderem. Muitos esquerdistas vivem invocando-as para proteger homicidas, estupradores, traficantes. Estão certos. Deveras interessante, entretanto, que, quando se tratam de figurões, membros da "zelite", um silêncio sepulcral se estabelece diante de tão flagrantes abusos. Então, quando as nulidades processuais começarem a ser suscitadas, e os acusados estiverem todos soltos, dirão: “É a ‘caixa preta’ do Judiciário! É o elitismo! É o corporativismo!”. Faço meus, portanto, os lamentos do orador romano Cícero, no seu primeiro discurso contra o conspirador Catilina: "Oh, tempos! Oh, moral!


* Este artigo foi escrito ontem, mas só publicado hoje, sem referência aos fatos ocorridos hoje.

Ora!

E não é que o Kibeloco postou sobre a barrigada do Diário do Sul?

Pois é. Com um dia de atraso em relação ao Caxassa.


(Caxassa who?)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Furo na reportagem

Ler jornais distraído está cada vez mais perigoso. Lendo a versão impressa do Diário do Sul de hoje, me deparei com uma notícia assaz interessante:



Vibrei: Finalmente prenderam o safado do Natércio Prado! Ninguém maltrata a Ana Paula Arósio e sai impune!

Mas qual! A PF não chegou a esse nível de eficiência ainda.

Ocorre que algém lá no Diário do Sul, procurando uma foto do banqueiro Daniel Dantas, copiou e colou a foto do primeiro Daniel Dantas que apareceu no google.

Que pena. Não é hoje que Natércio vai ter a punição que merece.

PS.: Valeu Arthur.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Fight Opression!

Vocês viram?

Em Juazeiro, aqui mesmo na Bahia, um vereador acusado de homicídio e porte ilegal de arma faltou a uma audiência da justiça apresentando um atestado médico de depressão, assinado por um ginecologista. O promotor ironizou: "Só se for depressão pós-parto". O atestado não foi aceito, e ele é agora fugitivo.

Mas que papelão o desse promotor homofóbico! Quem disse que o vereador não pode ser mãe? Isso é uma opressão sexista! Ou por acaso não se lembram da luta de Stan "Loretta", da Frente Popular pela Libertação da Judéia, no filme "A Vida de Brian"? "Todo homem tem o direito inalienável de ser mãe".

Eu prefiro não exercer, mas porque o vereador não pode?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Radical Chic

Philip Roth, autor de "O Complexo Portnoy", em entrevista comentando as eleições americanas, me sai com uma pérola da democracia avant la lettre das altas esferas intelectuais gauchiste-de-caderno-2:

"Muitos disseram que McCain era o melhor dos candidatos republicanos em 2008. Mas não existe republicano bom. (...) Quero que a era Bush desapareça simplesmente."

Vamos lá, all together now com o Philip "Napoleon" Roth: Quatro patas bom! Duas patas ruim! Quatro patas bom! Duas patas ruim!

sábado, 21 de junho de 2008

Pavlov com a cabeça ativa....

Macacos me mordam!

Na Holanda, o hospício mais vanguardista do velho mundo (como definiu um amigo no Orkut), uma nova lei baniu o consumo de tabaco em recintos fechados. Inclusive nos Coffee-Shops, pontos legais de venda e consumo de maconha.

Captaram o absurdo da coisa? O Tabaco é proibido por que a Nicotina, seu princípio ativo, "faz mal à saúde dos freqüentadores", como diz o Primeiro-Ministro Holandês. Ora bolas, e o THC, princípio ativo da maconha, não? A fumaça da maconha, não?

Eu me impressiono a cada dia com esse neofascismo antitabagista que vem tomando conta dos corações e mentes da mídia e dos governos. Ao mesmo tempo em que se aperta o cerco ao cigarro comum se discute a liberação da maconha, sem levar em conta que o cigarro comum não induz a psicose, como a maconha e dá menos câncer que aquela "erva natural que não pode te prejudicar", além de ter um cheiro menos ruim.

Mais engraçada é a desculpa do Primeiro - Ministro: "Não é correto conduzir toda indústria de alimentação para ambientes livres de fumaça e fazer exceção para os cofee-shops". A contradição é óbvia demais pra ser inocente ou acidental. Porra, Coffee-Shop...livre de fumaça?

Mas, aparentemente, nenhum holandês questiona a medida por ser totalitária - pois quer proibir condutas lícitas em ambientes privados - ou francamente contraditória, feita sob medida pra enlouquecer qualquer sistema social e judiciário..... As críticas se apegam a questões menores e incidentais, como a ineficácia da fiscalização e o incômodo do usuário.

Eis a comprovação: Liberar a maconha não faz mal só para o cérebro do usuário. Faz mal para a alma de um país.

Façam suas apostas!

E a greve dos servidores do Judiciário na Bahia? Todo ano é a mesma coisa de louco, esperar que das mesmas práticas surjam resultados diferentes, assim:

Os serventuários deflagram a greve;
Os advogados e clientes ficam com cara de tacho olhando;
Oo Tribunal ameaça descontar os dias parados;
Os serventuários aceitam uma fração do pedido original;
O Tribunal não desconta dia nenhum;
E os serviços voltam com sobrecarga de alvarás, liminares, certidões, publicações , prazos devolvidos, processos desaparecidos.
No fim, todos ficam insatisfeitos. Much ado about nothing, diria Shakespeare

Enquanto aguardava minhas audiências no SAJ ontem (um dos poucos serviços que ainda funciona), conversava com alguns colegas sobre a greve. O mote era: Quando eles iriam retornar ao trabalho?

Alguns, mais otimistas, achavam que depois da festa de São Pedro, dia 30. Eu sou mais pessimista. Apostei dia 07. Por que?

Ora, o pedido dos serventuários depende de aprovação da Assembléia Legislativa. Mas, porém, contudo todavia, não obstante, os nobres deputados baianos, até o dia 30/06, estarão nas suas respectivas convenções partidárias. Isso sem contar que o dia 02 de julho é feriado estadual, e cairá na quarta feira. E que servidor em sã consciência voltará a trabalhar numa quinta?

Há um fator, entretanto, que não considerei. 07 de julho é a data limite para que os partidos e candidatos às eleições municipais apresentem os requerimentos de registros de candidaturas. E, dentre os requisitos obrigatórios, tchan-ran, está a juntada das certidões negativas dos cartórios criminais, justamente um dos serviços atualmente suspensos.....

E então? Será que o enredo do filme, desta vez, vai ter alguma mudança? Vejamos depois do intervalo.....

Caetano com menos caetanices

Vivendo e aprendendo, não é mesmo? Caetano Veloso nunca me despertou muita simpatia, como aquele ar eternamente blasé dele. Mas não é que eu descubro que nem só de "ou não" vive o homem?

Explico. No seu show "Obra em Progresso" Caetano lançou a música "Base de Guantanamo", que diz, singelamente:

O fato dos americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano,
é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar.
A Base de Guantánamo
A Base da Baía de Guantánamo
A Base de Guantánamo
Guantánamo


Numa entrevista, Caetano explicou que a prisão de Guantánamo, onde os americanos mantém presos terroristas da al-Qaeda, lhe causava mal estar porque os EUA são defensores de sociedades abertas, e que se ele fosse "um tipo de pessoa de esquerda, pró-Cuba, anti-Estados Unidos, não sentiria decepção alguma pelo que ocorreu nas prisões de Guantánamo".

Ah, pra que! O Coma-andante Fidel Castro, que quer de volta o monopólio absoluto de violações de direitos humanos em Cuba, disse: "Em duas palavras: o músico brasileiro pediu perdão ao império por criticar as atrocidades cometidas naquela base naval em território ocupado de Cuba”.

Caetano devolveu numa resposta certeira e caceteira:

“Não pedi perdão a ninguém. Procuro pensar por conta própria. Minha irreverência diante dos poderes estabelecidos é impenitente. Dois dias depois de dar a entrevista citada por Fidel, eu disse à televisão austríaca que a tendência sociológica de considerar o racismo no Brasil pior do que o apartheid na África do Sul é uma manobra da CIA (aqui ele tinha que dar a Caetanice dele, mas exigir 100% de perfeição é demais, né?). Sou um artista. Minhas palavras são: criação e liberdade. Se não me submeto ao poderio norte-americano, tampouco aceito ordens de ditadores. Fidel nos deve explicações a respeito de sua identificação com os estados policiais que o comunismo gerou. Hoje toda a esquerda silencia sobre a Coréia do Norte, como silenciava sobre a União Soviética na minha juventude. A canção “Base de Guantánamo” não seria composta se eu não tivesse a evidência de que nos Estados Unidos há respeito aos direitos dos cidadãos como não se vê em Cuba. A decisão da Suprema Corte americana, reconhecendo o direito a habeas corpus aos prisioneiros de Guantánamo é expressão disso. Tampouco seria possível a canção sem o valor simbólico que a revolução cubana tem em nossas mentes. Lembro de ter sentido, quando excursionava com Fina Estampa, que a tragédia de Cuba (com liberdades cerceadas na ilha e uma população inimiga do regime atuando em Miami) era mais vital do que a segurança dessangrada de Porto Rico. Tenho idéias e reações emocionais complexas. Não aceito pacotes fechados. O texto de Fidel é autocongratulatório, prolixo e injusto. Sobretudo com Yoani Sánchez, a cubana que mantém o blog “Generación Y” . Ela e seu marido Ricardo Escobar deram a resposta que eu gostaria de dar a Fidel. Ainda volto ao assunto.”

Fiquem agora com a música:

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Esconjuro!

O blog Pimenta na Muqueca noticia que a UJS perdeu a eleição para representantes do CONSU e do CONSEPE da UESC. E sustentam a possibilidade de ter sido a presença de um membro da chapa que é pessoalmente contra as cotas um fator decisivo nessa derrota (quem será? fiquei curioso... Até onde eu sei o número de pessoas que puseram a cara a tapa em oposição explícita às cotas na UESC - esse escriba incluso - contam-se nos dedos da mão do Lula) .

Eu acho a explicação frágil. Quem já viveu as eleições da UESC, nos diversos níveis, sabe que o nome UJS, apesar de ainda mobilizar muita gente (como mostrou a reeleição do Magnífico) também tem um índice de rejeição alto. E também sabe que o pessoal de lá na UESC não é exatamente fã das cotas (a menos que os calouros cotistas tenham desempenhado peso nesta eleição)

Tanto que a turma do PT e do PSTU (e outros menores) têm como tática de "queimar" candidatos - eu vi isso centenas de vezes - dizendo "Esse é da UJS! é do PC do B!" (argumento interessante, pois desvia a atenção para a própria realidade de quem ofende, normalmente também a serviço de um Partido para aparelhar a Universidade).

E sabemos, também, que essas eleições de CONSU e CONSEPE não empolgam as multidões (já que o próprio CONSU e CONSEPE são quase "Sociedades Secretas", das quais só tomamos ciência quando ouvimos "Consumatum Est"). E incoerências entre membros de chapas e a voz oficial não são incomuns (apesar de que a discordância explícita e aberta o é, pois o "Centralismo - cof cof - Democrático" ainda é lei).

Seria interessante uma análise mais aprofundada desta eleição. Quantos % dos alunos votaram? Como foi a votação? Quem foram os candidatos? Como foi a campanha?

Obamismo II

Com certo atraso eu comento agora a indicação de Hussein Obama à candidatura Democrata à presidência dos EUA.

Assistindo os noticiários vemos o mesmo tom exaltador do "primeiro negro" (na verdade mulato, só um pouquinho mais escuro que eu) candidato à Presidência dos EUA. Fala-se muito bem dele e ignora-se, quase que por completo, a natureza e o volume das críticas de que ele é alvo nos EUA. Até a Veja, tradicionalmente acusada de ser caixa de ressonância dos interesses mais obscuro do Grande Império do Norte, "Obamou".

Obama é bom de gogó. Convence as massas. Não consta que tenha tido um emprego de verdade fora do ativismo, pelo menos já a um bom tempo. Não tem experiência administrativa.Tem discursos vagos de esperança e mudança sem dizer pra onde e nem como. Fala-se na esperança vencendo o medo.

Engoli esse agá em 2002. Depois de Dom Lulla I, esse tipinho não me impressiona e nem me convence mais.

Leiam também: "O mundo brasilianiza-se", do filósofo Olavo de Carvalho

Obamismo ou: como desinformar em uma mísera linha

Da Reuters: "Obama, que é cristão, enfrenta falsos rumores de que seja muçulmano."

Vamos por partes, como dizia Jack, o estripador:
Fato 1: O nome do sujeito é Barack Hussein Obama
Fato 2: Seu pai era Muçulmano
Fato 3: Quando morou na Indonésia - maior país muçulmano do mundo - foi registrado na escola como "muçulmano", e teve aulas em Madrassais.
Fato 4: Seu próprio irmão, Malik, afirma que ele cresceu como muçulmano.
Fato 4: Obama estabeleceu uma "proibição de perguntar". Se ofende a cada vez que levantam uma questão sobre sua herança islâmica.
Olavo de carvalho, certa feita num de seus True Outspeaks, definição a situação como a seguinte: "É como se, no auge da Guerra do Vietnã, um sujeito chamado John Paul Ho Chi Mihn, nascido em Havana e educado em Moscou, se candidatasse à presidência dos EUA e se ofendesse se lhe perguntassem se era comunista".

A revelação do irmão de Obama é recente, como é essa nota da Reuters. Mas, nessa singela frase, ficamos vendo como o repórter se esforça para "matar" a história no nascedouro, sem sequer ter a curiosidade - que deveria ser inerente à profissão - de questionar o quanto de verdade há nesses rumores.

São as maravilhas da imprensa-capitalista-reacionária-de-direita.

Cambalache

Olha que barato. Confirmando a tese de que não há direita partidária no Brasil, e que são todos farinha do mesmo saco, eis que a Executiva do PT aprova uma chapa com....o DEM (ex-PFL).

Aí ainda temos que aturar militantes berrando e se xingando pra cima e pra baixo. Briga de comadre é fogo.

Mas fica aí a dica pra a sucessão em Itabuna. É bom que evita a fadiga, como diria o grande filósofo pragmático, Seu Jaiminho.....

terça-feira, 17 de junho de 2008

O tempo passa, o tempo voa....

"O Brasil não é lugar de literatura. Na verdade, a sua total ausência é marcada pela proibição geral de livros e a falta dos mais elementares meios pelos quais os seus habitantes possam tomar conhecimento do mundo e do que se passa nele. Os habitantes estão mergulhados em grande ignorância e sua conseqüência natural: o orgulho" James Henderson, "A history of Brazil", citado por Laurentino Gomes, "1808". Página 269.

Quem quer que converse com qualquer brasileiro médio, mesmo estudante universitário, sobre qualquer assunto da realidade do mundo não deixa de constatar que as palavras escritas há duzentos anos continuam atualíssimas.

Écrasez l´infâme

Na falta do que fazer, parafraseio Rousseau nas horas vagas:

"O primeiro homem que inventou de dizer 'a realidade está errada e eu sei como transformá-la' e encontrou gente ingênua o suficiente para acreditar nisso foi o autêntico fundador da psicopatia revolucionária. De quantos crimes, guerras, assassínios, desgraças e horrores teria livrado a humanidade se aquele, lhe tirando o palanque, tivesse gritado: Não, impostor!"

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Latifúndio Improdutivo

Torcedores do Bahia invadem o Fazendão


Olha o Movimento dos Sem-Time aí, gente!!!!!

terça-feira, 27 de maio de 2008

Jus Gentium

Toc toc
O sargento da PM bateu na porta da sala do escrivão. Trazia um casal. Um em cada mão.
- A vizinhança chamou a viatura por causa da briga dos dois, Almir. Um bafafá da pêga lá no Alto do Urubu....
O escrivão Almir olhou os dois. Uma hora da tarde, um calor infernal na delegacia de telha de amianto. Esse pessoal não tinha mais o que fazer que não impedir a sua sesta?
- Sentem aí e esperem.
Almir terminou lentamente o cafezinho. Tragou pacientemente o cigarro. Pegou um rolo de fita para a a velha Olivetti sem nenhuma pressa, olhando para o casal, forçado a se sentar no mesmo sofá.
A mulher batia o pé insistentemente, e olhava para todos os lados, menos para o homem. Ele, com um bigodinho fino, a canela suja de cal, tentava disfarçar uma cara de menino inocente, sorrindo sempre em seguida ante a própria incapacidade de fingir. Ela puxou:
- Bandido. Ordinário..... Dotô (virou-se para o escrivão) esse féladaputa quebrou meu DVD, meu sofá e a janela. Ainda me deu uma tapona e me jogou no chão, me ralei toda, ó (mostra os supostos arranhões, que o escrivão não vê)
- Isso é uma vadia, dotô, tá mentindo....
- Mentindo o que, seu sacana? Quem te deu o direito de quebrar o meu DVD? Quem te deu o direito de quebrar meu sofá?
- E quem te deu o direito de quebrar o meu coração? Quebrar meu sentimento? Isso vale mais que o DVD. Sua puta!
Almir, então no segundo cafezinho, gritou:
- Baixe a voz, porra! Tá pensando que tá onde?
- Mas dotô, e meu direito? Essa vagabunda arregaçou meu coração, pela segunda vez! Eu perdoei ela da primeira, não dá uma semana ela me apronta de novo?
- Que direito? Desde quando corno tem direito? Ainda mais reincidente? Fiquem aí os dois sentados pensando na vida, que eu tenho mais o que fazer!
E sorveu mais um gole de café.

domingo, 25 de maio de 2008

Um brinde a Murphy

Era uma vez um HD. Antigo, mas confiável. Foi-se. Mal súbito. Fritou sem deixar descendência. Com ele, 17 GB de arquivos de áudio e vídeo, e-books (só de livros em pdf eram 6 GB), arquivos de texto diversos que eu ainda iria ler em algum momento, artigos escritos (alguns inéditos), emails arquivados no Outlook, centenas de fotos, petições, contratos.

Chamamos o equivalente ao SAMU. Mas não houve jeito. Nada pôde ser salvo.

Foi-se. E deixa saudades.

Ok. Podia chorar, amaldiçoar e tal. Mas deixo vocês com a cena final de "A vida de Brian", de Monty Python


a la riba!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A cobrança

Transcrevo post do excelente blog Jus Sperniandi, do Juiz aposentado Ilton Dallandrea, sobre a indenização milionária recebida por Ziraldo e Jaguar por terem sido "vítimas" da Ditadura.

Prezados Ziraldo e Jaguar
Eu fui fã nº 1 de O Pasquim. Em seguida saberão por quê. Por isto me sinto traído pela atitude de vocês (aqui). Vocês, recebendo essa indenização milionária, fizeram exatamente aquilo que criticavam na época: o enriquecimento fácil e sem causa emergente da e na estrutura ditatorial.

Na verdade, vocês se projetaram com a Ditadura. Vocês se sustiveram da Ditadura. Vocês se divertiram com a Ditadura. Está bem, vocês sofreram com a Ditadura, mas, exceto aquela semanada na cadeia – que parece não foi tão sofrida assim –, nada que uma entrevista regada a uísque e gargalhadas na semana seguinte não pudesse reparar. A cada investida da Ditadura vocês se fortaleciam e a tiragem seguinte do jornal aumentava consideravelmente.

Receber um milhão de reais e picos por causa daquela semana, convenhamos, é um exagero, principalmente quando se considera que o salário mínimo no Brasil é de R$ 420,00. Por mês...

Vocês não podem argumentar que a Ditadura acabou com o jornal. Seria a mais pura mentira, se é que a mentira pode ser pura. O O Pasquim acabou porque vocês se perderam. O O Pasquim acabou nos estertores da Ditadura porque vocês ficaram sem o motor principal de seu sucesso, a própria Ditadura. Vocês se encantaram com a nova ordem e com a possibilidade de a Esquerda dominar este país que não souberam mais fazer humor. Tanto que mais tarde voltaram de Bundas – há não muitos anos – e de bunda caíram porque foram pernósticos e pedantes. Vocês só sabiam fazer uma coisa: criticar a Ditadura e não seriam o que são sem ela.

Eu vi o nº 1 de O Pasquim num tempo em que não tinha dinheiro para adquiri-lo. Mais tarde, estudante em Florianópolis, passei a comprá-lo toda semana na rua Felipe Schmidt, próximo à rua 7 de Setembro, numa banca em que um rapaz chamado, se não me engano Vilmar, reservava um exemplar para mim. Eu pagava no fim do mês.

Formado em Direito, em 1976 fui para Taió. Lá assinei o jornal que não chegava na papelaria do meu amigo Horst. Em 1981 vim para o Rio Grande do Sul e morando, inicialmente, em Iraí, continuei assinante. Em fins de 1982 fui promovido para Espumoso e sempre assinante. Eu tenho o nº 500 de O Pasquim, aquele que foi apreendido nas bancas e que os assinantes receberam...

Nessa época, não sei se lembram, o jornal reduziu drasticamente seu número de folhas. Era a crise. Era um arremedo do que fora, mas ainda assim conservava alguma verve. A Ditadura estava saindo pelas portas dos fundos e vocês pelas portas da frente, famosos e aplaudidos.
Vocês lançaram uma campanha de assinaturas. Eu fui a campo e consegui cinco ou seis. Em Espumoso! Imaginei que se cada assinante conseguisse cinco assinaturas, ajudaria muito.
Eu era Juiz de Direito. Convenhamos: não fica bem a um Juiz sair vendendo assinatura de jornal. Mas fiz isto com o único interesse de ajudar o O Pasquim a se manter. Na verdade, as assinaturas foram vendidas a amigos advogados aos quais explanei a origem, natureza e linha editorial do jornal. Uns cinco ou seis adquiriram assinaturas anuais.

No máximo dois meses depois todos paramos de receber o jornal, que saiu de circulação. O O Pasquim deu o calote... Eu fiquei com cara de tacho e, como se diz por aqui, mais vexado que guri cagado. Sofri constrangimento por causa de vocês. Devo pedir indenização por isto? Não. Esqueçam!

Mas agora que vocês estão milionários, procurem nos seus registros e devolvam o dinheiro dos assinantes de Espumoso que pagaram e não receberam a assinatura integral. Naquele tempo vocês não tinham como fazê-lo. Agora têm. Paguem proporcionalmente, mas com juros e correção monetária, como manda a lei.

Caso contrário, além de traidores, serei obrigado a considerá-los também caloteiros.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O Estado-Babá ataca novamente

Ai, céus. Acabo de almoçar, me refestelo no sofá antes de voltar para o escritório e vejo no Jornal Hoje que a Câmara Municipal de Jaú/SP proibiu o consumo de carambola por pessoas com insuficiência renal.
Sério.
Os nobres edis daquele progressista rincão brasileiro aprovaram a Lei 4152/08 por unanimidade, e agora todos os estebelecimentos que vendem carambola em alguma forma deverão ter o aviso: "Pacientes com insuficiência renal estão proibidos de comerem o fruto, ou o doce, ou ingerirem o suco da carambola, seja qual for o grau da insuficiência, pois a fruta produz neurotoxina que concentra-se no sangue, atinge os neurônios em concentração maior e provoca soluços, convulsões, podendo levar até a morte. Portanto, não comam’”.
Supimpa.
Proponho agora outras leis para a nossa proteção contra nós mesmos , pobres indivíduos irresponsáveis:
1. Está proibido o consumo de cachaça com jaca.
2. Está proibido o banho frio após comer feijoada.
3. Está proibido o consumo concomitante de manga com leite
4. Estão proibidas quaisquer notícias de leis municipais em jornais veiculados durante ou imediatamente após as refeições.

Sabem como é. Tudo isso "estopora"
(Leiam, novamente, meu artigo "O advento do Estado-Babá")

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Hoje tem baianada? Tem sim senhor!

Sabem que às vezes dá uma preguiça ser baiano? É por que aqui é a terra onde qualquer absurdo encontra seu precedente. Exemplo prático disso foram as declarações do Coordenador do Curso de Medicina da UFBA de que o referido curso conseguiu o último lugar no ENADE graças ao baixo Q.I. dos baianos.

Até aí nada de mais. Quem não gostou poderia ter simplesmente dito que o referido professor - que é baiano - ao atribuir aos baianos tout court a pecha de portadores de baixo QI estaria simplesmente projetando sua realidade íntima sobre os demais.

Ah, mas não. Aí não seria a Bahia-iá-iá. O mundo veio abaixo. Instaurou-se no nosso estado uma competição acirrada para ver quem consegue falar mais besteira em defesa da Bahia e, assim, superar o professor.

Tom Zé, por exemplo, afirmou que "Nenhuma população de nenhum canto do Brasil pode ser avaliado como (tendo) baixo QI.". Como é que Tom Zé afirma isso? Ele sabe que todas as populações têm alto QI? Ou acha politicamente incorreto afirmar em sentido contrário? E eu que pensei que se qualquer indivíduo pode ter seu Q.I. avaliado, a média dos indivíduos de um grupo pode servir de espelho do grupo. Não é esta possibilidade - a de a média refletir o grupo - aliás, um dos pilares teóricos dos defensores das cotas?

Ah, mas o nosso cantor - referência em filosofia desde que foi citado num voto no Supremo Tribunal Federal, ainda complementou: "O que acontece é que em alguns momentos alguns grupos são particularamente influencidados pela filosofia do niilismo americano que tá na televisão e aí aparecem esses fenômenos." Como dizem os praticantes de alechat no orkut: Misplica?

Ah, ainda tivemos o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues. Ele comparou o professor a Hitler. Disse que vai processar o professor por racismo e exige retratação & demissão. Logo após dar a sua contribuição à turba de intelectuais, militantes e políticos com ancinhos e tochas, qualificou a frase do professor de "anti-democrática", vejam só como são as coisas....

Mas parem o mundo, pois o Ministério Público entrou na parada. Ééééée, o MP/BA, aquele de onde saiu um promotou que impetrou um Habeas Corpus em favor de um chimpanzé. O brioso representante do Parquet, procurador Vladimir Aras, além de ter enxergado crime de racismo nas declarações do professor (céus, cadê os elementos do tipo - prática, indução, incitamento - em levantar a hipótese de que pode haver nexo entre notas baixas e o QI?), vê possibilidades de ações por improbidade administrativa (cuma?) , danos morais (difusos? mas o sujeito também não é baiano?) além de um processo administrativo.

Ah, mas não poderiam faltar as autoridades. O Exmo. Sr. Governador qualificou de "imbecilidade ímpar" as palavras do professor. E asseverou que ligou para o Reitor da UFBA, professor Naomar, e se solidarizou ao afastamento do atabalhoado professor de medicina. Falando no Magnífico, aliás, sua postura também está a par dos demais:

"Fiz um requerimento à cooordenação da Faculdade de Medicina para afastá-lo da função de coordenador do curso e, se for o caso, a própria faculdade deverá abrir um processo administrativo disciplinar para avaliar se o conjunto de declarações infringiu algum regulamento do estatuto do servidor público".

Sacaram? Primeiro afasta o homem. Depois apura.

Este festival de besteiras assolando a Bahia é sintomático. O busílis, aqui, não é um eventual baixo QI dos baianos. Alguém, aliás, já fez esta verificação antes de afirmar ou infirmar a tese? O cerne do problema, aqui, é a proibição de perguntar.

* Não se pode questionar se existe nexo entre as cotas e a queda de qualidade no ensino da UFBA.
* Não se pode questionar se o berimbau tem o mesmo valor que um stradivarius.
* Não se pode questionar se existe um nexo entre a cultura predominante e o desenvolvimento técnico-científico.


Basicamente, o que se quer é calar as opiniões qualificadas por eles - sempre por eles, os militantes, "intelequituais", o Afrikakorps - como reacionárias. O próprio reitor Naomar deu a entender isso (leia aqui, no 7º parágrafo).

Quando na própria Universidade certas perguntas passam a ser proibidas, quando questionamentos são respondidos por meio do linchamento moral, da rotulação, com o apelo a emoções, com movimentos de massa, ao invés de serem simplesmente corretamente refutados, temos aí um sinal claro e inequívoco de que algo de MUITO grave está se instalando com cada vez mais força na Universidade Brasileira.

E nem preciso concordar com as declarações do professor Dantas.

sábado, 26 de abril de 2008

Artigo novo

Confiram o meu artigo "A Hermenêutica da Morte", publicado na edição de abril no periódico "É Direito". Nele eu analiso o voto do Ministro Carlos Ayres de Britto sobre o uso de células tronco embrionárias.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Hay emprego? Soy contra!

Recebi ontem na rua um flyer do Sindicato dos Comerciários proclamando um "não" a um projeto de lei que permite - notem, permite, não obriga - o funcionamento do comércio local até as 22h.

Eu não li o projeto, dele só conheço aspectos gerais. Mas, a julgar pelo veredicto contrário do sindicato, deve ser um projeto danado de bom. É sério. Vejam vocês os argumentos de Jairo, o presidente do sindicato, no mesmo panfleto:

"Este anteprojeto não possui justificativa racional para a sua implementação, pois a ampliação do horário de funcionamento não significa aumento nas vendas e muito menos desenvolvimento para o setor" (...) Para Jairo, ao contrário do que está afirmando o vereador, esta proposta só trará mais exploração, podendo piorar e precarizar ainda mais as condições de trabalho e salários desta categoria tão sofrida e explorada pelo segmento patronal"

Impressão minha ou só eu percebi a contradição lógica entre as duas sentenças, que estão no mesmo parágrafo?

Ora bolas. Temos aqui que, para o sindicato:
1. O aumento de tempo de abertura do comércio não vai aumentar as vendas
2. Os trabalhadores serão mais explorados.


Porca misera, alguém faz o favor de explicar? Afinal, se exploração pressupõe produção, e a produção do comerciário é mais venda, como é, pombas, que vai haver mais exploração com menos produção?

Ora, é óbvio que quanto mais tempo as lojas ficarem abertas mais tempo haverá para consumidores potenciais fazerem suas compras. Mais compras significam um comércio mais forte. E um comércio mais forte significa, até onde eu sei, mais comerciários empregados, e comerciários mais fortes, a menos que alguém prove que um comércio cada vez mais débil paga melhor, e emprega mais, que um comércio pujante.

Mas alguém foi explicar esse óbvio ululante aos comerciários?

Go, Hugo, Go!

El Fanfarrón de Caracas ataca novamente!
Agora, indignado por que o USS George Washington passou perto da costa venezuelana, sentenciou: "Neste século vamos enterrar o velho império americano e viver com a nação americana como uam nação fraterna, por que mais de 40 milhões de seus habitantes vivem abaixo da linha da pobreza".

Jura, meu pai? Ora, nem vou saber onde é a linha da pobreza americana e a linha da pobreza venezuelana, mas 40 milhões de americanos são 13% da população (e contem aí os milhões de imigrantes ilegais que no hablan inglés e não têm emprego). Enquanto isso, na república bolivariana de Huguinho, 38% da população vive abaixo da linha da pobreza.

Interessante é ele lembrar - e celebrar - o bloco formado pelos membros do Foro de São Paulo - que continua ignorado pelas bandas de cá, como os coveiros do império.

E o ministro Jobim insiste que o tal Conselho Sul Americano de Defesa não é operativo e nem antiamericano.

Arram. Então tá.

Vai lá Hugo. Pede umas dicas pro seu amigo líbio, o Coronel Khadaffi, sobre o que fazer quando um porta-aviões americano chegar perto.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Poxa, deixei de postar tanta coisa. Maldita gripe

Mas fiquem com esse vídeo por hoje. Tomara que amanhã eu poste alguma coisa.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Uma exegese não dói

Ah, nossos magistrados......
Acabo de ler que o hit funkeiro "Um tapinha não dói" - desaparecido das paradas há uns 5 anos, seguramente - acaba de ir para o index funkorum prohibitum numa sentença da Justiça Federal, na qual o MM Juiz entendeu que o tapa descrito provoca dor e abalo psíquico.

Arram.

Nessa toada, daqui a pouco a turma que rala a tcheca no chão vai ser acusada de promover a xenofobia também......

sexta-feira, 28 de março de 2008

A Semana

Uai. Estive tão ansioso com esse tal resultado da OAB que nem me dei ao trabalho de postar alguma coisa aqui no Caxassa essa semana. Mas farei aqui um apanhado;

Quer Mais?
Nosso giro começa aqui mesmo em Itabuna. Li a nota no "A Região" de domingo que o vereador Roberto de Souza acha que o abandono de Itabuna se deve à falta de tesão do nosso prefeito. Sei não. A julgar de como a cidade vem estando cada vez mais fudida pior, diria que tesão não falta. Viagra daria até overdose.

El Comandante
E Nelson Jobim, ministro da defesa? Nosso bravo repetiu ipsis litteris a patuscada proposta chavista de integração das FFAA da América Latrina Latina numa espécie de "OTAN" bananeira. Quem é o inimigo? Isso Jobim não diz. Mas Chávez diz: O "Império" americano. Vamos lá, cantando: Aux tacapes, citoyens! Formez vos battaillons! Marchons! Marchons! Qu'un sang impur abreuve nos sillons !

Peace for dummies

Viram nosso Comandante-em-chefe chamando Chávez de Pacificador? Pois é, pois é, pois é. No que o Coronel de Caracas se meteu num problema restrito a dois outros países falando em guerra e mobilizando tropas e pedindo 1 minuto de silêncio pelo terrorista morto Lula viu um grande gesto de estadista pela paz. A cara de Chávez na solenidade dizia tudo: "São seus olhos, companheiro".

Por qué no te callas?

Ai que vergonha. E na mesma ocasião ainda tivemos a oportunidade de ver Sua Sapância Sapiência Presidencial dizendo que ligou pro Presidente dos EUA e disse: "Bush, meu filho, resolva a sua crise. Passamos 26 anos sem crescer e agora você quer com a crise nos atrapalhar?". É um gozador, esse Lulla.

A caminho do século XX

Enquanto isso, lá em Cuba, objeto de punheta idolatria de Chávez, Lula, Evo e caterva, o novo Coma Andante, Raul castro, acaba de liberar o acesso a telefones celulares. Olho vivo, turma da esquerda. Na glasnost e na perestroika começou assim: Começaram a liberar acesso a bens de consumo, depois a 500 gramas de manteiga por semana, meio bife.... e vocês sabem como é o povo: hoje você dá o dedo, o povo quer o braço. Daqui a pouco vão começar a querer liberdade de expressão, liberdade de associação, liberdade de ir-e-vir, e a Revolução vai pro brejo. Mas eu sei que os cubanos são cuidadosos: o acesso aos telefones será cobrado em dólar, e não em pesos. E dólar, sabemos, lá é privilégio dos membros da nomenklatura comunista e das jineteras (prostitutas). De qualquer jeito, está tudo em família......

Esquerdofrênica

A revista Caros Amigos, sabemos, é o órgão oficial do Partido das Viúvas do Muro de Berlim. Sempre há algo de divertido para ler. Exemplo disso foi um artigo que li essa semana, de autoria de Silvia Valim. Ela inicia se dizendo envergonhada de si mesma pois, estando em Caracas e precisando comer algo que não fosse feito de frango (por razões não declinadas), viu-se compelida a comer no McDonald´s, único lugar com preço e variedade acessíveis a uma jornalista proletária. Aí ela inicia um reflexão sobre por que, afinal, não se proíbe o McDonald´s. A repórter ainda garante que há coisa mais saudável e gostosa disponível, "díliças" como "a manga verde picada com sal e pimenta que uma caraquenha vende nos fins de semana em Sabana Grande". Uai, por que não comeu lá então?

Esquerdopata

Continuo no artigo de Silvia Valium Valim. Ela garante que os EUA e o mundo capitalista têm é inveja de Cuba. Arram. Por isso que todos os anos milhares de imigrantes desesperados fogem dos EUA e do resto do mundo em botes precários, nadando em direção a Cuba, tierra de los libres, casa de los valientes.

Esquerda Festiva

A turma do PC do B está em festa. Dizem que é o aniversário de 86 anos do Partido. Vai rolar um brinde à memória de Stálin, de Mao Tsé-Tung e Enver Hodxa? Bem, de qualquer maneira espero que nos próximos 86 anos o PC do B discuta, afinal de contas, se a denúncia de Kruschev aos crimes de Stálin tem ou não fundamento. Acho que será tempo suficiente.




sábado, 8 de março de 2008

Agora é oficial!

Jobim: Viracopos é o grande objetivo do governo federal
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Ora! E quem não sabia disso?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Meu acesso à internet está meio inconstante..... Fica esse vídeo por hoje.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

+ 1

Já está no ar mais um artigo meu no Periódico Jurídico "É Direito": O advento do Estado-Babá

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Surprise!

Raul Castro, vejam só, ganhou as eleições em Cuba. Ele tem uns setenta e poucos anos, então imagino que tenha sido ele a quem Fidel, 81, se referia quando escreveu que ia sair para deixar os mais jovens assumirem o poder. São as maravilhas da alternância do poder. Democrático a lot.

Clique aqui e aqui para conhecer a "capivara" do no Comandante-en-jefe da Ilha-Prisão

Ora!

Olha a minha surpresa, ao abrir o jornal "A Região" dessa semana e ver lá o Marcel Leal, entre outras coisas, recomendando esse blog aqui!

Obrigado pela visita, Marcel, e volte sempre.

Enquanto isso, no Planeta Terra.....

Dom Lula está feliz como pinto no lixo com a notícia de que o Brasil hoje possui créditos externos maiores que os débitos.

Claro que ninguém lembra da dívida interna. Não convém.

E, no meio de toda essa euforia, descobrimos que ficamos na 101ª posição (isso mesmo, c e n t é s i m a p r i m e i ra) posição no Ranking de Liberdade Econômica, emparelhados com potências como o Camboja, a Argélia e Burkina-Faso, e 17º colocado entre os 29 países da América.

Enquanto o fracasso sobe à cabeça de meio mundo na imprensa, depois de décadas só ouvindo falar em dívida externa e fora-uzianque-do-éfeêmií-e-du-conçenço-de-uóxiton, percebemos que nossa equipe econômica gosta mesmo é de caçar Curupira, achando mesmo que as pegadas vão nos levar pro lugar certo.....

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Atención

Artigo meu, novo, publicado no Pimenta na Muqueca: Hasta la vista, Fidel!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Postando

A compreensão, a má compreensão ou a pura incompreensão são riscos inerentes à atividade de quem escreve, em especial no mundo bloguístico.

Espere: risco?

Sim. Às vezes você escreve, por exemplo, um desabafo. As alternativas para quem quer desabafar são: gritar num descampado, contar meia-verdade para um amigo, se confessar a um padre, escrever num diário, procurar um psico-qualquer-coisa ou blogar.

A primeira alternativa parece coisa insana, tipo “grito primal”. A segunda, bem, uma meia verdade (e ninguém pode ser 100% sincero quando se trata de desabafo, pois quase sempre envolvem terceiros, ou até mesmo o próprio interlocutor) equivale a um meio desabafo. E meio desabafo é tão bom quanto coito interrompido. As outras duas seguintes são meio demodé, mas há quem ainda as pratique. A penúltima é cara e normalmente inútil: os padres fazem o mesmo serviço de graça.

Resta o blog. Mas o blog possui o mesmo problema da segunda alternativa: Se você não conta 100% da verdade a um único interlocutor, quanto mais a toda a internet. A vantagem é que você pode escrever com palavras cifradas, reticências, referências vagas, ou seja, uma certa imprecisão que te dá a sensação de ter dito tudo sem dizer nada específico.

E aí entram os riscos de que falei no início. Se você quisesse com convicção ser compreendido, escreveria sem rodeios, ou falaria direto. Mas pode acontecer de alguém te compreender, o que em si não é nem bom nem ruim: depende de como você escreve e o que você disse.

O outro risco é o de ser mal-compreendido. Tipo, você dizer uma coisa e os leitores entenderem outra, ou vários leitores entenderem uma coisa diferente. Coisas da exegese, sabem como é....

Por fim, você pode, simplesmente, não ser compreendido. Isso ocorre, normalmente, ou quando sua linguagem é excessivamente obscura ou quando os leitores são excessivamente ineptos (como o anônimo do link). Ou, ainda, quando um post despretensioso passa a ser entendido como algo pretensioso. Sabem? Tipo: "hum.....o que será que ele está querendo dizer com esse hai-kai?".

Então. Acabo de perceber que escrevi sem rumo. Esse texto me parece profundo, mas é nonsense.





Ou não.

Au Revoir

Fidel assume 'falta de condições físicas' e renuncia em Cuba



Já foi tarde. Cabrón!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Poizé....

Lembram quando Dom Lula disse que a Venezuela era democrática até demais?


Pois é. Percebe-se.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Arrocha, aperta, aperta e amassa....

Vocês viram no Jornal Nacional hoje? Os presidente da Câmara e do Senado querem mudar as regras da medidas provisórias. Atualmente, quando elas não votadas no prazo, trancam a pauta até que os legisladores votem.

Sabem o que significará essa proposta? Que o Poder Executivo vai poder continuar emitindo MPs a torto e a direito, sem que o Poder Legislativo mexa uma palha para votá-las. E permanecerão sendo reeditadas ad nauseam até que o STF derrube ou o Congresso vote.

Ou seja, agora é escancarado: Os decreto-lei estarão de volta.

Tutti Buona Gente

Segundo o blog Pimenta na Muqueca o protesto contra o Reitor da UESC hoje deu chabu, graças a um acordo entre o PC do B - a tropa de choque Quinquense - e o PSTU, aparentemente o organizador do protesto.

Parece que vai rolar um ônibus pra a turma que é contra-burguês-e-vota-16 ir para Sampa, prum congresso qualquer por lá.

São os filhotes de Stálin provando pros filhotes de Trotsky: "Nós somos vocês amanhã".

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sem comentários

Nada de BaVi neste blog hoje.

E tenho dito.

¬¬

Quod Erat Demonstrandum

Alguns dias atrás um visitante desse blog deixou um comentário, me recomendando a leitura de uma entrevista no site da UESC. O site estava fora do ar, e só hoje me toquei de ir ler.

Pois bem, a entrevistada era Márcia Rosely, do PC do B, conhecidíssima nos meios políticos da Universidade. Me abstenho de comentar toda a entrevista, mas somente um trecho, exemplificativo do que venho falando e criticando há muito tempo:

"Udo/Web – E quais os desafios para o ensino superior na atual conjuntura?
Márcia Rosely – A Universidade brasileira viveu um momento muito difícil. O pensamento neoliberal, além de sucatear as Universidades Públicas, sufocou o debate político durante vários anos. O chamado pensamento único contribuiu para a crise da produção teórica. "

Eu esfreguei os meus olhos. "Cuméquié? Eu levei 5 anos numa Universidade com hegemonia do pensamento neoliberal e não percebi?"

Parto da premissa de que não há ideologia sem ideólogos. Para atingir a hegemonia, a ponto de gerar "pensamento único" e "sufocar o debate", imagino que a literatura liberal deva ser dominante, ao menos na biblioteca. É o mínimo que se espera.

Fiz uma comparação da quantidade de livros/referência de autores marxistas (ou esquerdistas) e não marxistas no site da Biblioteca:

Adam Smith: 8 referências
Karl Marx: 66 referências

Olavo de Carvalho: 1 referência
Antônio Gramsci: 33 referências

Friedrich Hayek: 1 referência
Lênin: 36 referências

Aristóteles: 38 referências
Paulo Freire: 100 referências

Milton Friedman: 5 referências
Emir Sader: 15 referências

"O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano": 0 exemplares
"As veias abertas da América Latina": 10 exemplares

Paulo Ferreira da Cunha: 0 referências
Boaventura Sousa Santos: 7 referências

José Guilherme Merquior: 7 referências (0 para o livro dele sobre Foucault)
Michel Foucault: 36 referências

Roberto Campos: 4 livros
Celso Furtado: 31 referências

Paul Johnson: 0 referências
Eric Hobsbawm: 14 referências

George Orwell*: 4 referências
Bertolt Brecht: 10 referências

Raymond Aron: 5 referências
Florestan Fernandes: 28 referências

Julián Marías: 6 referências
Marilena Chauí: 26 referências

Editora Instituto Liberal: 0 referências
Editora Paz e Terra: 234 referências

Vêem a completa distorção? A literatura filomarxista é francamente majoritária na Universidade e vem gente reclamar de "hegemonia neoliberal"!

Como, porca misera, pode haver "hegemonia neoliberal, que contribuiu para a crise da produção teórica", se o grosso da produção teórica tombada na biblioteca da UESC é francamente antiliberal? Como pode o "neoliberalismo" ser hegemônico e, ao mesmo tempo, não redundar em referências em quantidade relevante na Biblioteca?

E mais, não há quase nenhum dos livros mais importantes do liberalismo ou "da direita": "Capitalismo e Liberdade", de Friedman, só posui 1 exemplar, na seção reserva. "A riqueza das nações", de Adam Smith, também não possui nenhum exemplar para empréstimo domiciliar. "O caminho da servidão", de Hayek, inexiste. Paul Johnson, que desmascarou Marx no seu "Os Intelectuais", também não possui uma única obra aqui. Ludwig von Mises, que provou que o comunismo é tecnicamente impossível, também não dá as caras na UESC.

Outros nomes (não necessariamente liberais): Ortega y Gasset - 2 obras(nenhuma para empréstimo domiciliar); Eugen von Bohm-Bawërk - 1 livro (dois exemplares, somente um para empréstimo); Eric Voegelin - 0 referências; Michel Villey - 0 referências; Jean-François Revel - 0 referências; Guy Sorman - 1 referência; Thomas Sowell - 0 referências; Jagdish Bhagwatti - 1 referência; Allan Bloom - 0 referências.....

Aí sabe o que acontece? Começam as aulas, os militantezinhos começam a engabelar os calouros com esse papo, e todo mundo leva cinco anos numa universidade, recebendo marxismo güela abaixo, crente e abafando que está sendo sufocando pelo pensamento único neoliberal. E saem repetindo esse discurso, sem nem ao menos verificar e se tocar que isso é pura propaganda.

A explicação está em Gramsci. Na busca pela hegemonia a esquerda se faz de vítima até quando está em vantagem. O fato de existirem meia dúzia de livros "de direita" soterrados por toneladas de filo ou criptomarxismo já é um fato inaceitável para os gauches, sinal de hegemonia Capitalista, que deve ser superada. Ou seja, só vão sossegar quando não houver mais resquício de liberalismo e conservadorismo nas Universidades.

E assim se produz a crise da cultura, e se toma a sociedade de assalto.

* Orwell não é liberal, tampouco capitalista. Ele era um socialista moderado, que está presente para servir de contraponto ao stalinista Brecht, o qual possui suas obras completas na biblioteca, ao passo que, de Orwell, está presente "A revolução dos bichos", mas ausente "1984".

**Obviamente esta lista não se esgota. Existem outros nomes, títulos e editoras, de lado a lado, que eu não chequei. Mas, querendo, basta procurar nos sites das bibliotecas. Ponho meu dedo mindinho no torno se em alguma Universidade Pública os "reacionários" suplantem os "progressistas".

E a UESC?

O assunto dos gastos da UESC esfriou ou é impressão minha?
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"Se a autoridade à qual ele (o professor) está submetido reside na corporação, o colégio ou a universidade da qual ele é membro e na qual a maior parte dos outros membros é constituída de professores como ele, então é provável que façam causa comum, que sejam todos muito indulgentes uns com os outros, e que cada um consinta em que o outro seja negligente em suas obrigações, desde que lhe permitam a mesma negligência"
(Adam Smith. A riqueza das nações. Livro V, Cap. 1)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Da arte de jogar fora o sofá

Vocês viram que gracinha ontem o General Jorge Félix, do Gabinete de Segurança Institucional, falando numa coletiva sobre a farra com os cartões corporativos por parte de agentes da segurança da Primeira-Família?

Como o marido que encontra a esposa e o melhor amigo no sofá, e se ressente contra o pobre móvel, ele defendeu um maior controle sobre os cartões.

Não sobre o que se faz deles, óbvio, mas com o que deles se divulga.

Afinal, saber que um segurança montou uma Academia de Ginástica com o nosso dinheiro é questão de segurança institucional, por supuesto.

Definitivamente, o Brasil é o país da piada pronta.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

I said so....

Britânico morre após beber água demais



Será que o Lulla vai proibir a venda de água nas estradas?

Nota

Inseri uma coluninha aí ao lado, abaixo do contador de visitas, com alguns livros que eu tenho disponíveis online e que compartinho aqui para download. Incluída aí está minha monografia, "Inconstitucionalidade do Sistema de Cotas no acesso ao ensino superior".

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Scarlett O´Hara wannabe



- Jamais...Jamais passarei o Carnaval em Itabuna novamente!

Falando em A Região...

Marcel Leal assinou uma excelente Carta ao Leitor na página 2 da edição desta semana. A partir dos dissenssos entre os produtores de cacau ante a nova Associação ele fez um flashback com a antiga CCPC, uma organização que era alimentada com dinheiro público e que só se prestava a financiar extravagâncias etílicas e culinárias, nos tempos em que os cacauicultores tinham a ilusão que a fonte não ia secar. Foi esta ilusão, aliada à Vassoura de Bruxa, que jogou a cultura do cacau direto nas mãos do Banco do Brasil e do MST.

Bem, eu não vou transcrever o texto. Quando o site do jornal for atualizado eu faço um update neste post e lanço um link pra lá.

Indecisão

Direto do Balaio, Caderno de Classificados do Jornal A Região, desta semana, página 07:

_________________
Sou casa (sic), 21 anos, s/ filhos, marico (sic) c/ 22 anos, proc. trabalho p/ caseiros em São Paulo. Referência e experiência. F. 8819-xxxx, Leidione.
_________________
Logo abaixo...
_________________
Sou solteira, 21 anos, proc. emprego sem dormir no emprego, sem filhos, faço tudo, dou referência. Leidione. F. 8819-xxxx
_________________

Você é um reaça!

“O poeta vira-se para mim e faz-me esta acusação horrenda:
- ‘Você é um reaça!’.
Tremo em cima dos sapatos. Ele insiste:
- ‘Você acusa as esquerdas com argumentos da direita!’. [...]
E, de fato, tempos atrás, eu me encontrei com o doce radical num terreno baldio. Era meia noite, hora que, segundo Machado de Assis, apavora. O sino da matriz dá as doze badaladas [...], uma coruja rosna. E, então, cochicho para o doce radical:
- ‘Callado, vou contar-te uma que eu só diria ao médium, depois de morto. Você jura que não me trai?’.
O romancista estende a mão sobre uma Bíblia invisível:
- ‘Juro!’.
Com um sorriso terrível, declarei:
- ‘Eu sou a encarnação abominável da direita!’.
À luz dos archotes, Callado balbucia:
- ‘E te pagam para isso, meu bom Nelson?’.
A minha satisfação é hedionda:
- ‘Não espalha, mas ganho um tutu forte!’”.

Nelson Rodrigues - O Óbvio Ululante

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Na falta do que postar....

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Adalberto e Amanda

- Somos um casal moderno. Tudo o que fazemos é discutido antes.

Entrava a segunda hora da visita, a vigésima-primeira hora daquele dia. Amanda, somente com os intervalos regulamentares da respiração, contava como era o seu casamento para a amiga Fernanda, olhando sempre para o Adalberto como se quisesse confirmação.

- Conversamos o tempo todo, mesmo à distância. O celular do Adalberto está sempre de bateria carregada. Eu mesma a recarrego, toda noite...

- E precisa disso? indagou a amiga.

- Claaaaro. Nos falamos muito pelo telefone, por email, pelo msn....até pelo orkut! Mas o importante é aquilo que o nosso terapeuta disse, né amor? (Adalberto sorri, amarelamente) Um casal moderno tem que ser comunicativo. Temos que superar aquela barreira machista que fazia com que o homem falasse e a mulher obedecesse. Não, agora nós estamos na era do diálogo, né mor (outro sorriso)? E é necessário, para que nós saibamos o que o outro gosta, não gosta.... temos nossas linhas demarcadas, sempre respeitando a individualidade do outro.

- Aceita mais café, Adalberto?

- Ah não, ele não vai querer, o médico disse que café é pés-si-mo para a pressão sistólica - ou é a diastólica, whatever - dele. Mas se for for descafeinado serve. Pois bem, como eu dizia, nossa sintonia está nisso, nessa comunicatividade, nessa reciprocidade, nessa liberdade que damos um ao outro.

- Eu gostaria de mais um bolinho... disse, finalmente, o Adalberto.

Amanda bocejou. Tivera um dia estafante no escritório.

- Vamos, Adalberto. Você está com sono, e vive reclamando que tem insônia quando come muito doce antes de dormir. Tchau Fernanda!

Adalberto mal teve tempo de acenar. Amanda já o aguardava na porta do elevador.

Olha a cabeleira do Zezé....

Com implante de cabelos, Dirceu depõe em São Paulo


Eu ouvi dizer que implante de cabelo custa uns 8 mil reais... cool.

Ah, e o depoimento do Védirfeu?

Mensalão? Non Ecziste.

Peripatético

Até que Itabuna tem certa graça, na Beira Rio, ao fim de tarde.....

Weapon of mass destruction

No Iraque, Suplicy canta Bob Dylan e fala de Renda Mínima para autoridades

"Sob forte esquema de segurança, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) passou dois dias (16 e 17 de janeiro) em Bagdá, no Iraque, para dar palestras sobre sua principal bandeira, o Renda Mínima. (...) Após palestra e jantar no dia 16, ele cantou "Blowin'n in the Wind", de Bob Dylan."

Que irresponsabilidade! Deixaram Suplicy cantar Blowin´n in the Wind a uma platéia iraquiana? Como é que permitem um troço desses? E se os terroristas resolvem retaliar essa bomba?

De onde eu venho isso é motivo pra guerra.

Uma Fábula revisitada

Copy-paste do Blog do Angueth:

"The Ant and the Grasshopper", extraída do livro "Is Reality Optional? and other essays", de Thomas Sowell
Traduzida e adaptada por Miguel Nagib.

Assim como os filmes “Rocky” e “Guerra nas Estrelas” tiveram suas seqüências, as velhas fábulas deveriam ter as suas. Aqui está a seqüência para uma delas: A Formiga e a Cigarra.

Era uma vez, uma cigarra e uma formiga que viviam no campo. Durante todo o verão, a cigarra cantou e dançou, enquanto a formiga trabalhava duro, debaixo de um sol escaldante, para armazenar comida para o inverno. Quando o inverno chegou, a cigarra teve fome e, num dia frio e chuvoso, procurou a formiga para pedir-lhe comida.
“Quê?! Você está maluca?”, disse a formiga. "Eu arruinei minhas costas durante todo o verão enquanto você cantava e ria de mim por não aproveitar a vida..."

“Eu fiz isso?”, perguntou a cigarra mansamente.

“Sim! Você disse que eu era um desses bobalhões que não compreendiam a essência da moderna filosofia da auto-realização.”

“Puxa, sinto muito”, disse a cigarra. “Eu não sabia que você era tão sensível. Mas certamente você não vai usar isso contra mim numa hora dessas.”

“Bem, eu não costumo guardar rancor, mas tenho boa memória.”

Eis que aparece uma outra formiga.

“Olá, Lefty!”, disse a primeira formiga.

“Olá, George.”

“Lefty, você sabe o que essa cigarra quer que eu faça? Que eu lhe dê uma parte da comida pela qual eu trabalhei tanto nesse verão, sob o sol inclemente.”

“Ora, na minha opinião, isso é o mínimo que você devia fazer, até mesmo sem esperar que ela lhe pedisse” disse Lefty.

“Quê?!”

“Quando a natureza distribui seus frutos de forma desigual, podemos ao menos tentar corrigir a desigualdade.”

“Frutos da natureza uma ova!”, disse George. “Eu tive de carregar toda essa comida até aqui, subindo o morro e cruzando um riacho num pedaço de pau, sem me distrair um segundo para não ser comido por outros bichos. Por que esse vagabundo não fez o mesmo para ter o que comer no inverno?”

“Calma, calma, George”, amenizou Lefty. “Não devemos usar a palavra ‘vagabundo’. Hoje dizemos ‘sem-teto’.”

“Pois eu digo ‘vagabundo’ mesmo. Qualquer um que seja tão preguiçoso que não cuide para ter um teto sobre a sua própria cabeça, que prefira ficar na chuva a fazer um pequeno esforço...”

"Eu não sabia que ia chover desse jeito”, interrompeu a cigarra. “O serviço de metereologia previu que faria bom tempo."

“Tempo bom?”, George resmungou. “Foi isso mesmo o que o homem do tempo havia dito aNoé.”

Lefty pareceu afligir-se. “Estou surpreso com a sua crueldade, George, seu egoísmo e sua avareza.”

“Você ficou louco, Lefty?”

“Não, pelo contrário, eu fui educado.”

“Bem, hoje em dia isso pode ser até mais grave.”

“No verão passado, eu segui uma trilha de migalhas de biscoito deixada por um grupo de estudantes que me levou a uma sala de aula na Universidade.”

“Você esteve na Universidade? Se é assim, não me surpreende que tenha voltado com esse belo discurso e essas idéias idiotas.”

“Eu me recuso a dialogar nesses termos. Em todo caso, lhe digo que participei do curso de Justiça Social do Professor Murky. Ele explicou como a riqueza do mundo é distribuída de forma desigual.”

“Riquezas do mundo?”, repetiu George. “O mundo não carregou essa comida morro acima. O mundo não cruzou o riacho num pedaço de pau. O mundo não correu o risco de ser comido por um devorador de formigas."

“Essa é uma forma estreita de enxergar o problema”, disse Lefty.

“Se você é tão generoso, por que você mesmo não dá de comer a essa cigarra?”

“É isso o que eu vou fazer”, replicou Lefty. E, virando-se para a cigarra, lhe disse: “Venha comigo. Vou levá-la ao albergue do governo. Lá você terá comida e um lugar para dormir”.

“Ah, você está trabalhando para o governo agora?!”“Sim, eu entrei para o serviço público”, disse Lefty orgulhoso. “I want to 'make a difference' in this world."

“Vê-se que você realmente esteve na Universidade...”, disse George. “Mas se você é tão amigo da cigarra, por que você não a ensina a trabalhar durante o verão para ter o que comer no inverno?”

“Nós não temos o direito de mudar seus costumes e tentar fazer que ela seja como nós. Isso seria imperialismo cultural.”

George estava chocado demais para responder. Lefty não apenas ganhou a discussão, como continuou a expandir o seu programa de albergues para cigarras. Como a notícia se espalhou, uma multidão de cigarras começou a chegar de toda parte. Até que algumas jovens formigas decidiram adotar o estilo de vida das cigarras.

Quando a geração mais velha de formigas se foi, mais e mais formigas se juntaram às cigarras. Finalmente, todas as formigas e todas as cigarras passaram a usar o seu tempo curtindo a vida, sem compromissos, e viveram felizes para sempre – isto é, durante o verão.

Então veio o inverno.