terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Postando

A compreensão, a má compreensão ou a pura incompreensão são riscos inerentes à atividade de quem escreve, em especial no mundo bloguístico.

Espere: risco?

Sim. Às vezes você escreve, por exemplo, um desabafo. As alternativas para quem quer desabafar são: gritar num descampado, contar meia-verdade para um amigo, se confessar a um padre, escrever num diário, procurar um psico-qualquer-coisa ou blogar.

A primeira alternativa parece coisa insana, tipo “grito primal”. A segunda, bem, uma meia verdade (e ninguém pode ser 100% sincero quando se trata de desabafo, pois quase sempre envolvem terceiros, ou até mesmo o próprio interlocutor) equivale a um meio desabafo. E meio desabafo é tão bom quanto coito interrompido. As outras duas seguintes são meio demodé, mas há quem ainda as pratique. A penúltima é cara e normalmente inútil: os padres fazem o mesmo serviço de graça.

Resta o blog. Mas o blog possui o mesmo problema da segunda alternativa: Se você não conta 100% da verdade a um único interlocutor, quanto mais a toda a internet. A vantagem é que você pode escrever com palavras cifradas, reticências, referências vagas, ou seja, uma certa imprecisão que te dá a sensação de ter dito tudo sem dizer nada específico.

E aí entram os riscos de que falei no início. Se você quisesse com convicção ser compreendido, escreveria sem rodeios, ou falaria direto. Mas pode acontecer de alguém te compreender, o que em si não é nem bom nem ruim: depende de como você escreve e o que você disse.

O outro risco é o de ser mal-compreendido. Tipo, você dizer uma coisa e os leitores entenderem outra, ou vários leitores entenderem uma coisa diferente. Coisas da exegese, sabem como é....

Por fim, você pode, simplesmente, não ser compreendido. Isso ocorre, normalmente, ou quando sua linguagem é excessivamente obscura ou quando os leitores são excessivamente ineptos (como o anônimo do link). Ou, ainda, quando um post despretensioso passa a ser entendido como algo pretensioso. Sabem? Tipo: "hum.....o que será que ele está querendo dizer com esse hai-kai?".

Então. Acabo de perceber que escrevi sem rumo. Esse texto me parece profundo, mas é nonsense.





Ou não.

Um comentário:

Brisa Dalilla disse...

pqp

como uma coisa gera outra
que leva a outra
e a outra

hahaha

depois eu comento com popriedade
hahaha