sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Adalberto e Amanda

- Somos um casal moderno. Tudo o que fazemos é discutido antes.

Entrava a segunda hora da visita, a vigésima-primeira hora daquele dia. Amanda, somente com os intervalos regulamentares da respiração, contava como era o seu casamento para a amiga Fernanda, olhando sempre para o Adalberto como se quisesse confirmação.

- Conversamos o tempo todo, mesmo à distância. O celular do Adalberto está sempre de bateria carregada. Eu mesma a recarrego, toda noite...

- E precisa disso? indagou a amiga.

- Claaaaro. Nos falamos muito pelo telefone, por email, pelo msn....até pelo orkut! Mas o importante é aquilo que o nosso terapeuta disse, né amor? (Adalberto sorri, amarelamente) Um casal moderno tem que ser comunicativo. Temos que superar aquela barreira machista que fazia com que o homem falasse e a mulher obedecesse. Não, agora nós estamos na era do diálogo, né mor (outro sorriso)? E é necessário, para que nós saibamos o que o outro gosta, não gosta.... temos nossas linhas demarcadas, sempre respeitando a individualidade do outro.

- Aceita mais café, Adalberto?

- Ah não, ele não vai querer, o médico disse que café é pés-si-mo para a pressão sistólica - ou é a diastólica, whatever - dele. Mas se for for descafeinado serve. Pois bem, como eu dizia, nossa sintonia está nisso, nessa comunicatividade, nessa reciprocidade, nessa liberdade que damos um ao outro.

- Eu gostaria de mais um bolinho... disse, finalmente, o Adalberto.

Amanda bocejou. Tivera um dia estafante no escritório.

- Vamos, Adalberto. Você está com sono, e vive reclamando que tem insônia quando come muito doce antes de dormir. Tchau Fernanda!

Adalberto mal teve tempo de acenar. Amanda já o aguardava na porta do elevador.

3 comentários:

Brisa Dalilla disse...

HAHAHAHA

Não vou falar...
Não vou falar...
Não vou falar...
VOU FALAR!

É a modernidade atingindo os relacionamentos...

Muita liberdade. Ou não.

Na verdade acho isso um paracé, sabe... A única coisa que vem acontecendo é os casais ficarem cada vez mais parecidos com os de antigamente.

Muito ciúme. Muita resignação. Muita falta de tudo.

Bah. Viajei. E tenho dito.

Anônimo disse...

Falar em "fumu boni jurus", na sua santa transparência, você não respondeu a pergunta no pimenta: "a propósito isso em sua boca é um charuto?"
Aproveito para pergunta se "reaça enperdenido" é um código maçom?

Anônimo disse...

cada um é chato ao seu modo, né?