Toc toc
O sargento da PM bateu na porta da sala do escrivão. Trazia um casal. Um em cada mão.
- A vizinhança chamou a viatura por causa da briga dos dois, Almir. Um bafafá da pêga lá no Alto do Urubu....
O escrivão Almir olhou os dois. Uma hora da tarde, um calor infernal na delegacia de telha de amianto. Esse pessoal não tinha mais o que fazer que não impedir a sua sesta?
- Sentem aí e esperem.
Almir terminou lentamente o cafezinho. Tragou pacientemente o cigarro. Pegou um rolo de fita para a a velha Olivetti sem nenhuma pressa, olhando para o casal, forçado a se sentar no mesmo sofá.
A mulher batia o pé insistentemente, e olhava para todos os lados, menos para o homem. Ele, com um bigodinho fino, a canela suja de cal, tentava disfarçar uma cara de menino inocente, sorrindo sempre em seguida ante a própria incapacidade de fingir. Ela puxou:
- Bandido. Ordinário..... Dotô (virou-se para o escrivão) esse féladaputa quebrou meu DVD, meu sofá e a janela. Ainda me deu uma tapona e me jogou no chão, me ralei toda, ó (mostra os supostos arranhões, que o escrivão não vê)
- Isso é uma vadia, dotô, tá mentindo....
- Mentindo o que, seu sacana? Quem te deu o direito de quebrar o meu DVD? Quem te deu o direito de quebrar meu sofá?
- E quem te deu o direito de quebrar o meu coração? Quebrar meu sentimento? Isso vale mais que o DVD. Sua puta!
Almir, então no segundo cafezinho, gritou:
- Baixe a voz, porra! Tá pensando que tá onde?
- Mas dotô, e meu direito? Essa vagabunda arregaçou meu coração, pela segunda vez! Eu perdoei ela da primeira, não dá uma semana ela me apronta de novo?
- Que direito? Desde quando corno tem direito? Ainda mais reincidente? Fiquem aí os dois sentados pensando na vida, que eu tenho mais o que fazer!
E sorveu mais um gole de café.
terça-feira, 27 de maio de 2008
domingo, 25 de maio de 2008
Um brinde a Murphy
Era uma vez um HD. Antigo, mas confiável. Foi-se. Mal súbito. Fritou sem deixar descendência. Com ele, 17 GB de arquivos de áudio e vídeo, e-books (só de livros em pdf eram 6 GB), arquivos de texto diversos que eu ainda iria ler em algum momento, artigos escritos (alguns inéditos), emails arquivados no Outlook, centenas de fotos, petições, contratos.
Chamamos o equivalente ao SAMU. Mas não houve jeito. Nada pôde ser salvo.
Foi-se. E deixa saudades.
Ok. Podia chorar, amaldiçoar e tal. Mas deixo vocês com a cena final de "A vida de Brian", de Monty Python
a la riba!
Chamamos o equivalente ao SAMU. Mas não houve jeito. Nada pôde ser salvo.
Foi-se. E deixa saudades.
Ok. Podia chorar, amaldiçoar e tal. Mas deixo vocês com a cena final de "A vida de Brian", de Monty Python
a la riba!
segunda-feira, 5 de maio de 2008
A cobrança
Transcrevo post do excelente blog Jus Sperniandi, do Juiz aposentado Ilton Dallandrea, sobre a indenização milionária recebida por Ziraldo e Jaguar por terem sido "vítimas" da Ditadura.
Prezados Ziraldo e Jaguar
Eu fui fã nº 1 de O Pasquim. Em seguida saberão por quê. Por isto me sinto traído pela atitude de vocês (aqui). Vocês, recebendo essa indenização milionária, fizeram exatamente aquilo que criticavam na época: o enriquecimento fácil e sem causa emergente da e na estrutura ditatorial.
Na verdade, vocês se projetaram com a Ditadura. Vocês se sustiveram da Ditadura. Vocês se divertiram com a Ditadura. Está bem, vocês sofreram com a Ditadura, mas, exceto aquela semanada na cadeia – que parece não foi tão sofrida assim –, nada que uma entrevista regada a uísque e gargalhadas na semana seguinte não pudesse reparar. A cada investida da Ditadura vocês se fortaleciam e a tiragem seguinte do jornal aumentava consideravelmente.
Receber um milhão de reais e picos por causa daquela semana, convenhamos, é um exagero, principalmente quando se considera que o salário mínimo no Brasil é de R$ 420,00. Por mês...
Vocês não podem argumentar que a Ditadura acabou com o jornal. Seria a mais pura mentira, se é que a mentira pode ser pura. O O Pasquim acabou porque vocês se perderam. O O Pasquim acabou nos estertores da Ditadura porque vocês ficaram sem o motor principal de seu sucesso, a própria Ditadura. Vocês se encantaram com a nova ordem e com a possibilidade de a Esquerda dominar este país que não souberam mais fazer humor. Tanto que mais tarde voltaram de Bundas – há não muitos anos – e de bunda caíram porque foram pernósticos e pedantes. Vocês só sabiam fazer uma coisa: criticar a Ditadura e não seriam o que são sem ela.
Eu vi o nº 1 de O Pasquim num tempo em que não tinha dinheiro para adquiri-lo. Mais tarde, estudante em Florianópolis, passei a comprá-lo toda semana na rua Felipe Schmidt, próximo à rua 7 de Setembro, numa banca em que um rapaz chamado, se não me engano Vilmar, reservava um exemplar para mim. Eu pagava no fim do mês.
Formado em Direito, em 1976 fui para Taió. Lá assinei o jornal que não chegava na papelaria do meu amigo Horst. Em 1981 vim para o Rio Grande do Sul e morando, inicialmente, em Iraí, continuei assinante. Em fins de 1982 fui promovido para Espumoso e sempre assinante. Eu tenho o nº 500 de O Pasquim, aquele que foi apreendido nas bancas e que os assinantes receberam...
Nessa época, não sei se lembram, o jornal reduziu drasticamente seu número de folhas. Era a crise. Era um arremedo do que fora, mas ainda assim conservava alguma verve. A Ditadura estava saindo pelas portas dos fundos e vocês pelas portas da frente, famosos e aplaudidos.
Vocês lançaram uma campanha de assinaturas. Eu fui a campo e consegui cinco ou seis. Em Espumoso! Imaginei que se cada assinante conseguisse cinco assinaturas, ajudaria muito.
Eu era Juiz de Direito. Convenhamos: não fica bem a um Juiz sair vendendo assinatura de jornal. Mas fiz isto com o único interesse de ajudar o O Pasquim a se manter. Na verdade, as assinaturas foram vendidas a amigos advogados aos quais explanei a origem, natureza e linha editorial do jornal. Uns cinco ou seis adquiriram assinaturas anuais.
No máximo dois meses depois todos paramos de receber o jornal, que saiu de circulação. O O Pasquim deu o calote... Eu fiquei com cara de tacho e, como se diz por aqui, mais vexado que guri cagado. Sofri constrangimento por causa de vocês. Devo pedir indenização por isto? Não. Esqueçam!
Mas agora que vocês estão milionários, procurem nos seus registros e devolvam o dinheiro dos assinantes de Espumoso que pagaram e não receberam a assinatura integral. Naquele tempo vocês não tinham como fazê-lo. Agora têm. Paguem proporcionalmente, mas com juros e correção monetária, como manda a lei.
Caso contrário, além de traidores, serei obrigado a considerá-los também caloteiros.
Prezados Ziraldo e Jaguar
Eu fui fã nº 1 de O Pasquim. Em seguida saberão por quê. Por isto me sinto traído pela atitude de vocês (aqui). Vocês, recebendo essa indenização milionária, fizeram exatamente aquilo que criticavam na época: o enriquecimento fácil e sem causa emergente da e na estrutura ditatorial.
Na verdade, vocês se projetaram com a Ditadura. Vocês se sustiveram da Ditadura. Vocês se divertiram com a Ditadura. Está bem, vocês sofreram com a Ditadura, mas, exceto aquela semanada na cadeia – que parece não foi tão sofrida assim –, nada que uma entrevista regada a uísque e gargalhadas na semana seguinte não pudesse reparar. A cada investida da Ditadura vocês se fortaleciam e a tiragem seguinte do jornal aumentava consideravelmente.
Receber um milhão de reais e picos por causa daquela semana, convenhamos, é um exagero, principalmente quando se considera que o salário mínimo no Brasil é de R$ 420,00. Por mês...
Vocês não podem argumentar que a Ditadura acabou com o jornal. Seria a mais pura mentira, se é que a mentira pode ser pura. O O Pasquim acabou porque vocês se perderam. O O Pasquim acabou nos estertores da Ditadura porque vocês ficaram sem o motor principal de seu sucesso, a própria Ditadura. Vocês se encantaram com a nova ordem e com a possibilidade de a Esquerda dominar este país que não souberam mais fazer humor. Tanto que mais tarde voltaram de Bundas – há não muitos anos – e de bunda caíram porque foram pernósticos e pedantes. Vocês só sabiam fazer uma coisa: criticar a Ditadura e não seriam o que são sem ela.
Eu vi o nº 1 de O Pasquim num tempo em que não tinha dinheiro para adquiri-lo. Mais tarde, estudante em Florianópolis, passei a comprá-lo toda semana na rua Felipe Schmidt, próximo à rua 7 de Setembro, numa banca em que um rapaz chamado, se não me engano Vilmar, reservava um exemplar para mim. Eu pagava no fim do mês.
Formado em Direito, em 1976 fui para Taió. Lá assinei o jornal que não chegava na papelaria do meu amigo Horst. Em 1981 vim para o Rio Grande do Sul e morando, inicialmente, em Iraí, continuei assinante. Em fins de 1982 fui promovido para Espumoso e sempre assinante. Eu tenho o nº 500 de O Pasquim, aquele que foi apreendido nas bancas e que os assinantes receberam...
Nessa época, não sei se lembram, o jornal reduziu drasticamente seu número de folhas. Era a crise. Era um arremedo do que fora, mas ainda assim conservava alguma verve. A Ditadura estava saindo pelas portas dos fundos e vocês pelas portas da frente, famosos e aplaudidos.
Vocês lançaram uma campanha de assinaturas. Eu fui a campo e consegui cinco ou seis. Em Espumoso! Imaginei que se cada assinante conseguisse cinco assinaturas, ajudaria muito.
Eu era Juiz de Direito. Convenhamos: não fica bem a um Juiz sair vendendo assinatura de jornal. Mas fiz isto com o único interesse de ajudar o O Pasquim a se manter. Na verdade, as assinaturas foram vendidas a amigos advogados aos quais explanei a origem, natureza e linha editorial do jornal. Uns cinco ou seis adquiriram assinaturas anuais.
No máximo dois meses depois todos paramos de receber o jornal, que saiu de circulação. O O Pasquim deu o calote... Eu fiquei com cara de tacho e, como se diz por aqui, mais vexado que guri cagado. Sofri constrangimento por causa de vocês. Devo pedir indenização por isto? Não. Esqueçam!
Mas agora que vocês estão milionários, procurem nos seus registros e devolvam o dinheiro dos assinantes de Espumoso que pagaram e não receberam a assinatura integral. Naquele tempo vocês não tinham como fazê-lo. Agora têm. Paguem proporcionalmente, mas com juros e correção monetária, como manda a lei.
Caso contrário, além de traidores, serei obrigado a considerá-los também caloteiros.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
O Estado-Babá ataca novamente
Ai, céus. Acabo de almoçar, me refestelo no sofá antes de voltar para o escritório e vejo no Jornal Hoje que a Câmara Municipal de Jaú/SP proibiu o consumo de carambola por pessoas com insuficiência renal.
Sério.
Os nobres edis daquele progressista rincão brasileiro aprovaram a Lei 4152/08 por unanimidade, e agora todos os estebelecimentos que vendem carambola em alguma forma deverão ter o aviso: "Pacientes com insuficiência renal estão proibidos de comerem o fruto, ou o doce, ou ingerirem o suco da carambola, seja qual for o grau da insuficiência, pois a fruta produz neurotoxina que concentra-se no sangue, atinge os neurônios em concentração maior e provoca soluços, convulsões, podendo levar até a morte. Portanto, não comam’”.
Supimpa.
Proponho agora outras leis para a nossa proteção contra nós mesmos , pobres indivíduos irresponsáveis:
1. Está proibido o consumo de cachaça com jaca.
2. Está proibido o banho frio após comer feijoada.
3. Está proibido o consumo concomitante de manga com leite
4. Estão proibidas quaisquer notícias de leis municipais em jornais veiculados durante ou imediatamente após as refeições.
Sabem como é. Tudo isso "estopora"
(Leiam, novamente, meu artigo "O advento do Estado-Babá")
Sério.
Os nobres edis daquele progressista rincão brasileiro aprovaram a Lei 4152/08 por unanimidade, e agora todos os estebelecimentos que vendem carambola em alguma forma deverão ter o aviso: "Pacientes com insuficiência renal estão proibidos de comerem o fruto, ou o doce, ou ingerirem o suco da carambola, seja qual for o grau da insuficiência, pois a fruta produz neurotoxina que concentra-se no sangue, atinge os neurônios em concentração maior e provoca soluços, convulsões, podendo levar até a morte. Portanto, não comam’”.
Supimpa.
Proponho agora outras leis para a nossa proteção contra nós mesmos , pobres indivíduos irresponsáveis:
1. Está proibido o consumo de cachaça com jaca.
2. Está proibido o banho frio após comer feijoada.
3. Está proibido o consumo concomitante de manga com leite
4. Estão proibidas quaisquer notícias de leis municipais em jornais veiculados durante ou imediatamente após as refeições.
Sabem como é. Tudo isso "estopora"
(Leiam, novamente, meu artigo "O advento do Estado-Babá")
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Hoje tem baianada? Tem sim senhor!
Sabem que às vezes dá uma preguiça ser baiano? É por que aqui é a terra onde qualquer absurdo encontra seu precedente. Exemplo prático disso foram as declarações do Coordenador do Curso de Medicina da UFBA de que o referido curso conseguiu o último lugar no ENADE graças ao baixo Q.I. dos baianos.
Até aí nada de mais. Quem não gostou poderia ter simplesmente dito que o referido professor - que é baiano - ao atribuir aos baianos tout court a pecha de portadores de baixo QI estaria simplesmente projetando sua realidade íntima sobre os demais.
Ah, mas não. Aí não seria a Bahia-iá-iá. O mundo veio abaixo. Instaurou-se no nosso estado uma competição acirrada para ver quem consegue falar mais besteira em defesa da Bahia e, assim, superar o professor.
Tom Zé, por exemplo, afirmou que "Nenhuma população de nenhum canto do Brasil pode ser avaliado como (tendo) baixo QI.". Como é que Tom Zé afirma isso? Ele sabe que todas as populações têm alto QI? Ou acha politicamente incorreto afirmar em sentido contrário? E eu que pensei que se qualquer indivíduo pode ter seu Q.I. avaliado, a média dos indivíduos de um grupo pode servir de espelho do grupo. Não é esta possibilidade - a de a média refletir o grupo - aliás, um dos pilares teóricos dos defensores das cotas?
Ah, mas o nosso cantor - referência em filosofia desde que foi citado num voto no Supremo Tribunal Federal, ainda complementou: "O que acontece é que em alguns momentos alguns grupos são particularamente influencidados pela filosofia do niilismo americano que tá na televisão e aí aparecem esses fenômenos." Como dizem os praticantes de alechat no orkut: Misplica?
Ah, ainda tivemos o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues. Ele comparou o professor a Hitler. Disse que vai processar o professor por racismo e exige retratação & demissão. Logo após dar a sua contribuição à turba de intelectuais, militantes e políticos com ancinhos e tochas, qualificou a frase do professor de "anti-democrática", vejam só como são as coisas....
Mas parem o mundo, pois o Ministério Público entrou na parada. Ééééée, o MP/BA, aquele de onde saiu um promotou que impetrou um Habeas Corpus em favor de um chimpanzé. O brioso representante do Parquet, procurador Vladimir Aras, além de ter enxergado crime de racismo nas declarações do professor (céus, cadê os elementos do tipo - prática, indução, incitamento - em levantar a hipótese de que pode haver nexo entre notas baixas e o QI?), vê possibilidades de ações por improbidade administrativa (cuma?) , danos morais (difusos? mas o sujeito também não é baiano?) além de um processo administrativo.
Ah, mas não poderiam faltar as autoridades. O Exmo. Sr. Governador qualificou de "imbecilidade ímpar" as palavras do professor. E asseverou que ligou para o Reitor da UFBA, professor Naomar, e se solidarizou ao afastamento do atabalhoado professor de medicina. Falando no Magnífico, aliás, sua postura também está a par dos demais:
"Fiz um requerimento à cooordenação da Faculdade de Medicina para afastá-lo da função de coordenador do curso e, se for o caso, a própria faculdade deverá abrir um processo administrativo disciplinar para avaliar se o conjunto de declarações infringiu algum regulamento do estatuto do servidor público".
Sacaram? Primeiro afasta o homem. Depois apura.
Este festival de besteiras assolando a Bahia é sintomático. O busílis, aqui, não é um eventual baixo QI dos baianos. Alguém, aliás, já fez esta verificação antes de afirmar ou infirmar a tese? O cerne do problema, aqui, é a proibição de perguntar.
* Não se pode questionar se existe nexo entre as cotas e a queda de qualidade no ensino da UFBA.
* Não se pode questionar se o berimbau tem o mesmo valor que um stradivarius.
* Não se pode questionar se existe um nexo entre a cultura predominante e o desenvolvimento técnico-científico.
Basicamente, o que se quer é calar as opiniões qualificadas por eles - sempre por eles, os militantes, "intelequituais", o Afrikakorps - como reacionárias. O próprio reitor Naomar deu a entender isso (leia aqui, no 7º parágrafo).
Quando na própria Universidade certas perguntas passam a ser proibidas, quando questionamentos são respondidos por meio do linchamento moral, da rotulação, com o apelo a emoções, com movimentos de massa, ao invés de serem simplesmente corretamente refutados, temos aí um sinal claro e inequívoco de que algo de MUITO grave está se instalando com cada vez mais força na Universidade Brasileira.
E nem preciso concordar com as declarações do professor Dantas.
Até aí nada de mais. Quem não gostou poderia ter simplesmente dito que o referido professor - que é baiano - ao atribuir aos baianos tout court a pecha de portadores de baixo QI estaria simplesmente projetando sua realidade íntima sobre os demais.
Ah, mas não. Aí não seria a Bahia-iá-iá. O mundo veio abaixo. Instaurou-se no nosso estado uma competição acirrada para ver quem consegue falar mais besteira em defesa da Bahia e, assim, superar o professor.
Tom Zé, por exemplo, afirmou que "Nenhuma população de nenhum canto do Brasil pode ser avaliado como (tendo) baixo QI.". Como é que Tom Zé afirma isso? Ele sabe que todas as populações têm alto QI? Ou acha politicamente incorreto afirmar em sentido contrário? E eu que pensei que se qualquer indivíduo pode ter seu Q.I. avaliado, a média dos indivíduos de um grupo pode servir de espelho do grupo. Não é esta possibilidade - a de a média refletir o grupo - aliás, um dos pilares teóricos dos defensores das cotas?
Ah, mas o nosso cantor - referência em filosofia desde que foi citado num voto no Supremo Tribunal Federal, ainda complementou: "O que acontece é que em alguns momentos alguns grupos são particularamente influencidados pela filosofia do niilismo americano que tá na televisão e aí aparecem esses fenômenos." Como dizem os praticantes de alechat no orkut: Misplica?
Ah, ainda tivemos o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues. Ele comparou o professor a Hitler. Disse que vai processar o professor por racismo e exige retratação & demissão. Logo após dar a sua contribuição à turba de intelectuais, militantes e políticos com ancinhos e tochas, qualificou a frase do professor de "anti-democrática", vejam só como são as coisas....
Mas parem o mundo, pois o Ministério Público entrou na parada. Ééééée, o MP/BA, aquele de onde saiu um promotou que impetrou um Habeas Corpus em favor de um chimpanzé. O brioso representante do Parquet, procurador Vladimir Aras, além de ter enxergado crime de racismo nas declarações do professor (céus, cadê os elementos do tipo - prática, indução, incitamento - em levantar a hipótese de que pode haver nexo entre notas baixas e o QI?), vê possibilidades de ações por improbidade administrativa (cuma?) , danos morais (difusos? mas o sujeito também não é baiano?) além de um processo administrativo.
Ah, mas não poderiam faltar as autoridades. O Exmo. Sr. Governador qualificou de "imbecilidade ímpar" as palavras do professor. E asseverou que ligou para o Reitor da UFBA, professor Naomar, e se solidarizou ao afastamento do atabalhoado professor de medicina. Falando no Magnífico, aliás, sua postura também está a par dos demais:
"Fiz um requerimento à cooordenação da Faculdade de Medicina para afastá-lo da função de coordenador do curso e, se for o caso, a própria faculdade deverá abrir um processo administrativo disciplinar para avaliar se o conjunto de declarações infringiu algum regulamento do estatuto do servidor público".
Sacaram? Primeiro afasta o homem. Depois apura.
Este festival de besteiras assolando a Bahia é sintomático. O busílis, aqui, não é um eventual baixo QI dos baianos. Alguém, aliás, já fez esta verificação antes de afirmar ou infirmar a tese? O cerne do problema, aqui, é a proibição de perguntar.
* Não se pode questionar se existe nexo entre as cotas e a queda de qualidade no ensino da UFBA.
* Não se pode questionar se o berimbau tem o mesmo valor que um stradivarius.
* Não se pode questionar se existe um nexo entre a cultura predominante e o desenvolvimento técnico-científico.
Basicamente, o que se quer é calar as opiniões qualificadas por eles - sempre por eles, os militantes, "intelequituais", o Afrikakorps - como reacionárias. O próprio reitor Naomar deu a entender isso (leia aqui, no 7º parágrafo).
Quando na própria Universidade certas perguntas passam a ser proibidas, quando questionamentos são respondidos por meio do linchamento moral, da rotulação, com o apelo a emoções, com movimentos de massa, ao invés de serem simplesmente corretamente refutados, temos aí um sinal claro e inequívoco de que algo de MUITO grave está se instalando com cada vez mais força na Universidade Brasileira.
E nem preciso concordar com as declarações do professor Dantas.
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