terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Culpa do Bush

Quem não odeia George Bush? Sondemos nossos amigos, colegas, parentes.... alguém simpatiza com o W.? Blame Bush First é uma palavra de ordem. Da faixa de Gaza a Paris, de Moscou a Buerarema, de Tom Zé a Madonna, de Miriam Leitão a Heloísa Helena, todos têm algum palpite, alguma culpa pra lançar no Bush.

Mas terá sido o ex-presidente dos EUA tudo isso que todos amam odiar nele? Façamos um retrospecto:


Bush até hoje é acusado de ter sido eleito em 2000 por vias fraudulentas. Hoje mesmo, no jornal da manhã, o repórter disse que ele ganhou a eleição na recontagem. É mentira. Ele ganhou na Flórida e o Partido Democrata pediu a recontagem em alguns condados. Perderam. Pediram uma recontagem estadual. Os democratas queriam que cédulas rasuradas ou mal perfuradas (na Flórida usam Holerite) fossem contadas. A Suprema Corte disse não.

Depois veio o 11 de Setembro e a guerra no Iraque. Os EUA foram atacados covardemente por terroristas. O país estava em guerra. O mundo inteiro era simpático aos EUA, desde que eles não revidassem o ataque. Afinal, just give peace a chance....

Mas revidaram, obviamente. Invadiram o Afeganistão, sem muitos protestos. Mas quanto ao Iraque? Michael Moore propagou a tese de que a invasão foi motivada pelo petróleo. Pouco importa se Saddam Hussein impedia as inspeções da ONU. Pouco importa se Saddam Hussein matara 900.000 pessoas. Pouco importa se Saddam Hussein tivesse publicamente apoiado o 11 de Setembro. Pouco importa se empresas de países que não apoiaram a guerra estão prospectando no Iraque. Pouco importa se os EUA gastaram mais dinheiro no Iraque que jamais ganhariam se e somente se fossem os únicos a prospectar lá. Bush é americano, um cowboy. Logo, é óbvio que o Petróleo foi a razão principal da guerra. Michael Moore locuta, causa finita est.

E veio o Furacão Katrina. Não importava se o prefeito de Nova Orleans ou a Governadora da Louisiana tivessem atrasado até o último dia a ordem de evacuação. Não vem ao caso saber que o governo federal só poderia intervir após pedido da Governadora, por causa da Lei Posse Comitatus. O fato é que Spike Lee proclamou: Bush não gosta de pretos. A Lousiana é um estado de grande população negra. Logo, o racismo de Bush é a explicação. Palavras da Salvação.

E a crise econômica? Bush pegou a culpa dela sozinho. Não faz diferença ele ter abandonado as tradições liberais do Partido Republicano e, pongando numa proposta do Partido Democrata (uma lei de 1977 de Jimmy Carter que proibia Bancos de “discriminar” correntistas pobres e outra de 1995, de Bill Clinton, que obrigava os bancos a emprestar dinheiro para pobres comprarem suas casas), feito o Estado intervir na economia para baixar juros artificialmente e garantido que pessoas “excluídas” do mercado-opressor-capitalista pudessem ter acesso a crédito sem ter garantias de pagar. O caldo entornou, Bush ficou pra boi de piranha e Obama – logo ele, que apoiou essa política – se elegeu.

Bush não foi o melhor presidente dos EUA. Mas encarou um rabo de foguete que poucos antes dele encararam. Ele teve peito para sacrificar a popularidade para fazer o que era preciso, especialmente nos casos das guerras e da contenção do Eixo do Mal. A culpa do Bush foi a de não ter sido um presidente submisso às pressões globalistas da ONU e dos Ongueiros, que adorariam ver a soberania dos estados nacionais destruída. A culpa do Bush foi de ter pago pra ver quando Saddam blefara. A culpa do Bush foi de não ter se intimidado e negociado com quem odeia ou despreza os EUA.

Bush tem um olhar meio apalermado. Parece Alfred E. Newman, mascote da revista Mad. Comete umas gafes lulescas de vez em quando. Nada parecido com aquele olhar profético, iluminado, do incensado Obama. Mas, se houverem historiadores sérios no futuro, a história o tratará com a justiça que os contemporâneos lhe negaram.