sábado, 19 de janeiro de 2008

Gamão

- Ladrão!
Seu Josivaldo estava indignado. Primeiro a sutil indiferença dos parentes. Depois, o ambiente opressivo do Asilo. Agora, o salafrário do Hermenegildo trapaceando no jogo de gamão.
Era demais. Ele tinha que sair. Escapar daquilo, daquele destino cruel e agonizante.
Trocou o pijama pela roupa de domingo. Calçou o vulcabrás, pegou a bengala e se dirigiu para a saída.
Andava com fúria. O piso aderente abafava o barulho que sua bengala de bambu com certeza faria num piso de azulejo.
Abriu a porta da Clínica. Sentia-se vivo de novo. Nem ligava para o sol queimando a sua pele, ou a tosse causada pelo ar poluído pelos automóveis. Nem mesmo aquele barulho irritante que vinha do boteco da esquina o incomodava mais.
- Seu Josivaldo! Hora do remédio para a pressão!
Seu Josivaldo parou e olhou para a clínica. O salafrário do Hermengildo ia ter o troco. Iria pedir revanche, e vencê-lo antes de começar o programa do Faustão.
Voltou para a clínica, com o ímpeto juvenil dos teimosos renovado...

=29/10/2005=

Nenhum comentário: