sábado, 19 de janeiro de 2008

Crônica dos 11 anos

De repente ele passou a notar a colega que sentava na cadeira do meio, três filas depois da dele. Não sabia por que, mas de repente o sorriso dela passou a parecer lindo. Nunca haviam conversado mais que três ou quatro frases, sempre em trabalhos de grupo que a professora passava, mas ainda assim sua voz era linda também.
Até os óculos que ela usava davam um ar gracioso à sua face.
Reuniu toda a sua (falta) de coragem: Ela vai me notar!
E pensou em estratagemas (Flanquear o adversário é sempre melhor que um ataque frontal, já dizia Sun Tzu): Mudou de cadeira. Sentou ao seu lado. Estava sempre onde ela estava. No pátio do recreio, na fila do lanche.
Consertou a postura (Peito pra fora, barriga pra dentro!).
Por fim tomou uma atitude. Um bilhete, escrito: Eu gosto de você. Te amo.
E assinou, colocou dentro do caderno dela.
No dia seguinte, algo de estranho no ar.
As meninas cochichavam e olhavam de soslaio.
Os caras, aqueles imbecis que só pensam em bater baba, riam.
Ela sentou longe dele.
No intervalo, com a voz inaudível, ele a chamou para conversar:
- ...
Ela, entretanto, disse:
- Ó, não é por nada não, mas gosto de você só como amigo, tá, e não quero estragar a amizade.
E saiu, em direção à merenda, enquanto o rapazote, já com o peito pra dentro e a barriga pra fora, depois de levar o primeiro dos inúmeros foras de sua vida, pensava consigo:
- Foda-se, Sun Tzu.

= 27/10/2005 =

Um comentário:

Brisa Dalilla disse...

Vc já sabe que essa é uma das minhas prediletas. Digna de ser a primeira do seu futuro livro de crônicas.

:D