sábado, 19 de janeiro de 2008

O Amor num dia de Chuva

Chovia. Uma daquelas súbitas e poderosas tempestades de verão. As pessoas corriam na rua, como se correndo pudessem evitar o inevitável. Já Adalberto era prático. Não podia molhar-se mais do que já estava molhado. O chapchap das meias encharcadas no sapato não incomodava mais. Andava despreocupadamente, curtindo a chuva.
Ela se destacou na multidão. Alberto logo a percebeu. Também caminhava. Igualmente encharcada, igualmente despreocupada. Seus olhos se cruzaram. Por um segundo, que pareceu uma eternidade, um pareceu perscrutar a alma do outro por dentro dos olhares, olhares lânguidos e sexuais.
Sua camiseta - Branca! - evidenciava seus seios, graças à presença da chuva e a ausência de um soutien, aliado ao frio enrijecedor, fazendo que o escrito MEDICINA saltasse aos olhos de Adalberto. Ele não conseguia evitar alternar o olhar, ora para os olhos dela, ora para o colo.
Estavam agora em lados opostos da rua, um de frente para o outro, no passeio de pedestres, de frente para a faixa de segurança. A chuva agora cessara. Adlaberto observava. Que corpo delicioso. Lábios carnudos, a respiração lenta e profunda. As pernas - ah, que pernas - grossas e torneadas... E que magnífico derrière ela tinha. Seria um sorriso discreto, meio la Gioconda, o que Adalberto acabou de ver?
Sim, isso significava que ela correspondia.
Sinal vermelho para os carros. Aquela era a hora.
Eles se aproximam. Meio metro. Os olhares permanecem fixos . Alberto se prepara:
PÔU!
Ela desferiu um soco, certeiro, na ponta de seu queixo.
Caído no chão, quase numa posição ginecológica, Adalberto ainda conseguiu ouvir uma voz doce, que se afastava, carregada de indignação:
- Tarado... Pervertido....
Bah. Mas que soco delicioso ela tinha. Adalberto apaixonou-se.

= 02/11/2005 =

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