Nota: Postado originalmente em 05/06
Eu fui hoje à Assembléia dos professores que iria decidir pela Greve.. Não há muitas razões para se ir a uma, mas eu fui, movido por uma irresistível curiosidade antropológica.Cheguei já perto do fim. Estava fazendo a chamada na letra "T". Não estava presente quando as proposições foram escolhidas. Só vi a votação. "Teresa de Tal!" e a Teresa erguia a mão fazendo 1 ou 2 com os dedos. O que significava 1 ou 2 eu não sabia. Mas pouco importa. Assembléia de professor, para estudante, é como se fosse jogo de futebol. Você torce.
Utilizei um método desenvolvido após anos de observações empíricas em assembléias: Seguir os alunos. Notei que havia um grande número de alunos de humanas. História, Comunicação, Direito, Letras. E havia um certo número de medicina, biologia e caterva.
Percebi que, invariavelmente, a turma das ciências era vaiada no que aplaudia. E vice-versa. Não titubeei: Passei a apoiar o que a turma de medicina apoiava. Não sabia nem o que estavam votando. Mas eu confio neles.
Nada de pessoal contra a turma de humanas e nem a favor da turma de ciências. Meus amigos, aliás, estão quase todos em humanas. Já meus amigos cientistas podem ser contados nos dedos da mão do Lula.Mas em termos de mobilizações, a turma de humanas não me serve de parâmetro. A das ciências sim. Eles sabem o quanto precisam estudar para desempenharem bem suas profissões. Por isso querem aulas, sem enrolação e nem correria de pós-greve. A turma de humanas, parece, tem mais pena dos professores que de si mesmos. Não se preocupam com a falta de aula. Esperam poder descontar quando eles próprios forem professores.
De minha parte, não me importo com um professor que ache Marilena Chauí o máximo. Na pior das hipóteses ele só vai ser uma porcaria de profissional. Apto para ingressar no serviço público e fazer parte do sindicato. Me preocupo é com um médico que não teve aula. Juro que não vou aceitar a desculpa de que era muito importante discutir a incorporação do GEAA em 27% quando me amputarem a perna errada.
O fato é que a turma de ciências (majoritariamente contra a greve) ganhou da turma de humanas (majoritariamente a favor da greve). 11 votos de diferença. E não se fizeram de rogados: Mal sepultaram a greve, se retiraram. Não havia mais o que discutir. Os "humanólogos" se revoltaram. Queriam que eles permanecessem discutindo temas importantes como "posicionamento político frente as outras Universodades estaduais" ou "como levar nossas posições ao governo do Estado". Mas não. Os safados foram dar aula. Uns descompromissados....
A turma de humanas reclama, sem razão (pra variar) que as áreas biológicas e de saúde são privilegidas. São mesmo. E não é por nada não, mas a produção acadêmica delas supera e muito a produção de humanas.Eles culpam sua baixa produção à falta de investimentos. É uma inversão da causa e efeito. O dinheiro entra onde há retorno. Não vejo retorno em assembléias intermináveis, e nem em proselitismo político em sala de aula. Se eu fosse Reitor, e só restassem 50 reais no orçamento, investiria onde mais produzem, claro. Tratar desigualmente os desiguais é isso aí. Entre um livro de Mangabeira Unger para Direito (meu curso, se lembrem) e mais canetas para medicina, mais canetas.
Viva aos tubos de ensaio. Abaixo Marilena Chauí.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
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