quinta-feira, 14 de junho de 2007

Adeum viu a uva

Nota: Postado originalmente em 10/06

A Secretaria de Educação do Estado da Bahia, sob a batuta do meu ex-professor Adeum Sauer, está implementando o programa "TOPA" - Todos pela Alfabetização. A meta é a mesma do finado MOBRAL. Alfabetizar um milhão de adultos analfabetos até 2010. E, como o Mobral, não vai funcionar.

Eu já me posicionei sobre este tipo de programa antes. Acho que as verbas para a alfabetização de adultos seriam muito melhor empregadas, para variar, na alfabetização das crianças. Creio que a alfabetização de adultos deve ser encargo da filantropia privada. É mais prático, barato, e eficiente. E, possivelmente, menos demagógico.

Todo esforço governamental para alfabetizar adultos vai redundar em fracasso. Não se vai conseguir nada além de o sujeito saber assinar o próprio nome e identificar o nome do ônibus. Permanecerão analfabetos funcionais, como aliás as criaças estão saindo.

Agora, qual será o método? Aposto um dedo mindinho do Lula que será a "Pedagogia do Oprimido". («Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.» Paulo Freire). Um pouco de pedagogia com muito proselitismo.Ou seja, além de permanecerem analfabetos funcionais, serão analfabetos funcionais marxistas. Aptos para virarem presidentes da República.

Melhor seria o investimento em cursos profissionalizantes. Eles terão mais possibilidades de "se incluírem economicamente" se souberem fazer algo mais útil que discorrer sobre a dialética da superestrutura capitalista na produção de uvas. Por exemplo, aprender a produzir uvas. Que tal?

PS.: "Analfabeto funcional marxista" é um pleonasmo?

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